Por que é importante para o Brasil ter vacina nacional contra a Covid-19


Karla Chaves e Luana Franzão da CNN, em São Paulo
15 de agosto de 2020 às 06:00 | Atualizado 15 de agosto de 2020 às 06:56

O desenvolvimento de uma vacina que possa imunizar a população contra a Covid-19 tornou-se prioridade da comunidade científica desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Atualmente, existem seis projetos de vacinas em fase final de testes em seres humanos. Embora Inglaterra, China, Alemanha, Rússia e Estados Unidos tenham tomado a dianteira das pesquisas, o Brasil também adotou parcerias com instituições desses países, além de abrigar suas próprias investigações de um imunizante que proteja a população. 

A repórter Karla Chaves conversou com Gustavo Cabral, imunologista que participa de pesquisas de desenvolvimentos de vacina na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Ele explica que há mais de um estudo no país em busca da imunização, com instituições e técnicas diferentes.

Engenharia genética

Ele afirma que suas pesquisas estão voltadas para o uso de uma técnica que já é efetiva contra outras doenças infecciosas e está presente em vacinas como a da hepatite B e do HPV (papiloma vírus humano). É utilizada a informação genética de patógenos responsáveis pela codificação de proteínas importantes para a prevenção, segundo informações da Fiocruz (Fundação Instituto Oswaldo Cruz).

“Nós sabemos que quando o vírus chega no corpo, o sistema imunológico reage — ‘isso é estranho, vamos atacar’. Então usamos partículas que são semelhantes, mas que não têm nenhum material genético, é só um emaranhado de proteínas. Elas são quase iguais ao vírus. Então naquilo ali, colocamos pequenos pedaços do coronavírus — ou de outros patógenos, a depender da vacina desenvolvida — e inserimos no corpo, que gera uma resposta imunológica contra aquele vírus 'fake' (nesse caso um fake bom)”, disse o cientista sobre a estratégia.

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Por que uma vacina brasileira é importante?

 

Mesmo com tantas pesquisas sendo desenvolvidas em todo o mundo para chegar a uma vacina efetiva, Cabral entende ser essencial que Brasil tenha sua própria imunização. “Independentemente de quem produzir primeiro, vai chegar o momento em que nós teremos de ter a nossa vacina”, afirmou.

Além de valorizar a ciência nacional, ele explica que o desenvolvimento próprio também é importante para baratear os custos da vacinação em massa. Uma vacina brasileira  permitiria uma distribuição mais ampla, rápida e barata da imunização.

“Obter conhecimento científico e tecnológico é muito importante. Essa pandemia mostrou o quanto estamos atrás no processo de obtenção de informação e conhecimento e na capacidade de dar uma resposta rápida”, complementou o pesquisador.

Além disso, a capacidade de desenvolver técnicas de imunização no Brasil é essencial para que sejam produzidas vacinas para doenças que são comuns no país, e pouco relevantes em outros locais. 

Cabral citou como exemplo o caso do zika vírus, já que, segundo ele, países do hemistério norte dificilmente teriam interesse em desenvolver um imunizante uma vez que trata-se de uma doença mais comum em regiões tropicais.

Dr. Gustavo Cabral e Karla Chaves conversam em frente à fundo com coronavírus

Gustavo Cabral responde à perguntas acerca das pesquisas em vacinas contra a Covid-19

Foto: CNN Brasil