Butantan pretende vacinar 60 milhões de pessoas até metade de 2021

Governo de SP negocia investimento de R$ 1,9 bilhão para ampliação do complexo de fábricas de imunizantes

Natália André, da CNN, em Brasília Da CNN
26 de agosto de 2020 às 14:32 | Atualizado 27 de agosto de 2020 às 11:07

Até a metade de 2021, 60 milhões de pessoas devem ser imunizadas pela vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac Biotech, que vem sendo testada através de parceira com o governo de São Paulo e o Instituto Butantan. O secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, e o diretor do instituto, Dimas Covas, apresentaram detalhes do imunizante ao ministro interino, general Eduardo Pazuello, nesta quarta-feira (26).

A equipe de SP também pediu ajuda financeira federal. Um aporte inicial de R$ 1,9 bilhão para a compra de 15 milhões de doses prontas e 45 milhões de doses, que serão metade produzidas na China e metade aqui, até março de 2021. Mas, a vacinação já começaria em janeiro. 

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Depois, a partir de março, com a compra de material e tecnologia, o Butantan já teria capacidade de produzir mais 60 milhões de doses de forma independente. Ou seja, até julho de 2021, o governo de São Paulo terá produzido, em parceria com a farmacêutica chinesa, 120 milhões de doses, que serão aplicadas em 60 milhões de pessoas, por se tratar de uma vacina em dose dupla, assim como a da Universidade de Oxford.

Com esse aporte, o Instituto chegaria a ter capacidade de aumentar a produção de vacinas de todos os tipos de 120 milhões de doses anuais para 400 milhões. Com produção única da vacina contra o coronavírus de 100 milhões de doses anuais.

”Vacina apolítica”


O secretário, questionado sobre as críticas do presidente Jair Bolsonaro em relação à origem da vacina chinesa, disse que os governos federal e estadual estão juntos para a imunização do Brasil. “A vacina é apolítica. Estamos tratando com gestores técnicos. Não viemos aqui de forma política. Precisamos de vacinas. Não só de uma. Há um bom relacionamento entre os dois governos. E a única forma de voltarmos ao normal, sem máscara, é imunizando a população”, completou.

Inglaterra x China


No Brasil, o governo federal já fechou acordo com a Universidade de Oxford e o laboratório inglês AstraZeneca para comprar e produzir 100 milhões de doses até metade de 2021.

De acordo com o diretor do Butantan, se as duas vacinas tiverem a eficácia comprovada, e, se o Brasil comprar as duas, mesmo assim, não será suficiente para a imunização completa da população. “Como a de Oxford também é de aplicação dupla, 50 milhões de pessoas serão vacinas. Em conjunto com a chinesa, que conseguirá 60 milhões de imunizados, serão 110 milhões de pessoas, num país de 210 milhões de habitantes”, acrescentou. Por isso mesmo, na visão da equipe paulista, é fundamental o diálogo e o apoio mútuo dos governos federal e estaduais.

Histórico promissor


A vacina foi autorizada a ser testada no Brasil em julho. Desde então, 9 mil voluntários com mais de 18 anos e saudáveis, estão passando pelos acompanhamentos. Metade recebe a vacina e a outra metade, sem o conhecimento, recebem um placebo.

Aqui, o imunizante está na terceira fase dos testes em humanos, clínicos. Nas duas primeiras, na China, 25 mil pessoas foram testadas e os resultados mostraram mais de 94% de proteção. No Brasil, os únicos efeitos colaterais apresentados, por enquanto, são dores no local de aplicação.