O que é a síndrome rara associada à Covid-19, que causou morte de criança em PE

Infectologista fala sobre síndrome associada ao vírus que já deixou ao menos 12 mortes no país

Da CNN
01 de setembro de 2020 às 11:15

O Brasil começou a registrar casos de uma síndrome rara que atinge crianças infectadas com Covid-19. A doença tem se manifestado em crianças que contraíram o novo coronavírus, mas os médicos ainda não sabem ao certo qual a relação entre as duas doenças. De acordo com o levantamento da CNN, até o momento, 174 casos foram confirmados e 12 mortes registradas no país.

O estado de Pernambuco registrou na terça-feira (25) a primeira morte causada pela Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) e contabilizou mais um caso em tratamento, uma semana depois. À CNN, Marcos Paulo Guchert, Infectologista pediátrico e diretor técnico do Hospital Infantil Joana de Gusmão explicou a relação entre a doença rara e o vírus. 

"Ela é uma síndrome muito semelhante a outras síndromes que identificávamos após outras infecções entre a população pediátrica. Esta síndrome é, temporariamente, relacionada ao novo coronavírus. Alguns dias após a infecção aguda pela doença, a criança manifesta sintomas desta sindrome. O que acontece é que esta síndrome inicial na criança e no adolescente pode não apresentar nenhum sintoma", explica.

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Foto: Reprodução/ Agência Brasil

De acordo os relatos, os pacientes têm apresentado manchas pelo corpo, olhos vermelhos, barriga inchada e febre, entre outros sintomas.

"Ao contrário da fase aguda da Covid-19, na SIM-P os sintomas mais comuns são febre prolongada, lesões pelo corpo, olhos avermelhados, a criança pode desevolver um quadro de insuficiência respiratória. No entanto, os sintomas que chamam mais a atenção são as dores abnominais, vômitos e diarreia", reforçou o infectologista.

Desde abril o mundo vem acompanhando os casos de uma sindrome rara que atinge principalmente crianças e adolescentes. Para diagnóstico, o médico afirma que é necessário "ter um alto índice de suspeição pelo médico que está atendendo a criança para identificar a síndrome".

E completou: " A doença pode deixar sequelas, pricipalmente cardiovascular (...) Como ela é uma síndrome grave, estas crianças precisam ser tratadas e internadas. No hospital é dado o tratamento de suporte, fornecido oxigênio quando necessário, drogas para a manutenção da pressão arterial e hidratação do paciente. Os pilares do tratamento incluem o controle desta resposta inflamatória do organismo e drogas para o controle da coagulação", finalizou.

(edição de texto: Luiz Raatz)