Para diretor da Opas, suspensão de testes de vacina demonstra seriedade

Jarbas Barbosa lembra ainda que a falha ou sucesso de uma vacina não significa automaticamente que as outras terão as mesmas falhas ou sucesso

Da CNN, em São Paulo
09 de setembro de 2020 às 15:43 | Atualizado 09 de setembro de 2020 às 16:50

A suspensão dos testes de estágio final da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, demonstra a seriedade com que está sendo feito o ensaio clínico. Esta é a opinião de Jarbas Barbosa, médico sanitarista, epidemiologista e diretor-adjunto da Organização Panamericana de Saúde (Opas).

“Demonstra que não há e não deve haver nenhuma correria e que se devem cumprir todos os requisitos para assegurar que a vacina seja segura e eficaz”, disse Barbosa nesta quarta-feira (9) em entrevista à CNN.

De acordo com o especialista, é um procedimento padrão a interrupção de testes quando se tem um evento adverso nos imunizantes experimentais.

“Quando é detectado algum evento que pode ter relação com a vacina, imediatamente se suspende o estudo para que aquele evento seja analisado”, explicou. 

E há, segundo ele, sempre duas possibilidades: o que aconteceu com um voluntário pode ser relacionado à vacina ou pode ser uma "mera casualidade". 

Assista e leia também:

O que se sabe sobre a vacina de Oxford após a suspensão dos testes

Dasa anuncia estudo clínico de nova vacina contra Covid-19 no Brasil

Bahia anuncia acordo para testar vacina russa contra Covid-19

Jarbas Barbosa, médico sanitarista, epidemiologista e diretor-adjunto da Organização Panamericana de Saúde (Opas)
Foto: CNN (09.set.2020)

“A [vacina] de Oxford foi a primeira que iniciou a fase 3 de testes e, por isso, há uma expectativa do mundo inteiro para que ela possa ser uma das primeiras vacinas a estar disponíveis”, disse o diretor-adjunto da Opas. 

Na avaliação dele, o Ministério da Saúde deve avaliar todas as possibilidades de imunizantes contra o novo coronavírus que estão sendo desenvolvidos.

O especialista destaca que a falha ou sucesso de uma vacina não significa automaticamente que as outras terão as mesmas falhas ou sucesso. “Então, é importante que o Brasil participe dos ensaios clínicos como está fazendo”, concluiu.  

(Edição: Sinara Peixoto)