Primeiro caso de reação à vacina de Oxford foi comunicado ao Brasil em junho

Segundo fontes ouvidas pela CNN, voluntária apresentou febre, fraqueza muscular, além da perda de sensibilidade

Kenzô Machida, da CNN, em Brasília 
09 de setembro de 2020 às 18:56

A CNN apurou que, em junho deste ano, os pesquisadores brasileiros envolvidos na fase três da vacina de Oxford foram avisados que uma voluntária da vacina apresentou uma reação adversa grave, mas, na época, a farmacêutica disse que não havia relação com a vacina.

A primeira voluntária que apresentou uma reação foi uma mulher do Reino Unido, de 37 anos. A reação ocorreu no dia 10 de junho e o Brasil foi informado no dia 17 de junho. 

A segunda voluntária a ter reações adversas recentemente, e que provocou a suspensão dos estudos, também é uma mulher de 37 anos e moradora do Reino Unido.

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Segundo fontes ouvidas pela CNN, ela apresentou febre, fraqueza muscular, além da perda de sensibilidade. A voluntária teve uma mielite transversa, que é uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e, por ser uma doença neurológica, pode comprometer, inclusive, os movimentos da paciente. 

Fontes do governo disseram que a notícia da suspensão da última fase dos estudos da vacina foi vista com surpresa e preocupação e estava fora do planejamento.

A fonte informou que o fato não desqualifica a vacina, mas deixa em alerta as autoridades do governo federal, que devem adotar um tom de mais cautela sobre o assunto, mesmo que os estudos mostrem muito mais resultados positivos. 

Agora, o governo espera a farmacêutica AstraZeneca detalhar o que ocorreu. Vale lembrar que o governo federal já tem um dinheiro carimbado para a vacina de Oxford.

Em agosto foi assinada uma medida provisória no valor de R$ 1,9 bilhão, sendo que, desse valor, R$ 1,3 bilhão estariam reservados pagar a AstraZeneca. Em contrapartida, o Brasil receberia as 100 milhões de doses da vacina.

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Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko