Correspondente Médico: No futuro, Covid-19 pode se tornar doença sazonal?


Da CNN
15 de setembro de 2020 às 09:57

Um artigo publicado na revista científica Frontiers in Public Health indica que, no futuro, a Covid-19 deve se tornar uma doença respiratória sazonal. Ou seja, com ondas de epidemia bem marcadas.

Esses ciclos podem ser regulados por diversos motivos, incluindo estações do ano, imunidade da população, ciclo de vida do vetor – como é o caso da dengue, que depende do mosquito Aedes aegypti para ser transmitida.

Na edição desta terça-feira (15) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explica como ondas de Covid-19 poderão ser frequentes mesmo após uma eventual vacina.

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Correspondente Médico: o neurocirurgião Fernando Gomes fala sobre a possibilidad

Correspondente Médico: o neurocirurgião Fernando Gomes fala sobre a possibilidade de sazonalidade do Sars-Cov-2

Foto: CNN (15.set.2020)

"O que a gente imagina é que, nessa época do ano que estamos passando no hemisfério sul – com o tempo mais frio e umidade mais baixa –, a transmissão de doenças respiratórias, como é o caso do novo coronavírus e da gripe, por exemplo, acaba sendo mais facilitado", inicia.

Diante disso, Gomes aponta que, no futuro a curto e médio prazo, períodos como esse sejam considerados de "maior fragilidade" para essas ocorrências.

"Existe uma sazonalidade para alguns tipos de problemas que já conhecemos, então pode ser que o novo coronavírus venha a configurar algo dentro desse quadro, principalmente entre adultos e idosos", aponta.

Uso de máscara

De acordo com o profissional de saúde, o uso de máscaras, que servem como um anteparo natural, pode também se tornar uma rotina dentro desse ciclo de sazonalidade do vírus.

"Pode ser um desfecho possível que comecemos a usar máscara durante os meses em que a incidência é maior", avalia ele, que já vê mudança de comportamento mesmo caso a Covid-19 não se torne sazonal.

"Depois que já passamos por esse processo, em que está todo mundo usando máscara, o que vejo é que uma pessoa que está com gripe e resfriado, mesmo não sendo o novo coronavírus, naturalmente, vai se sentir mais confortável – do ponto de vista social – em colocar uma máscara para evitar que outras pessoas tenham acesso a doença que ela está manifestando", analisa ele.

O efeito dessa mudança comportamental pode ser positivo, segundo ele. "Vai evitar várias doenças [mais leves] passíveis de serem evitadas, além de e reduzir complicações que exijam internações e até levem à morte", conclui.

(Edição: André Rigue)