Correspondente Médico: Como o cigarro afeta o coração?

Tabaco causa 20% das mortes por doenças cardiovasculares, segundo estudo divulgado pela OMS

Da CNN
23 de setembro de 2020 às 10:04

Todo ano, quase dois milhões de pessoas morrem por doenças cardíacas causadas pelo tabaco em todo o mundo, aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (22) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em cooperação com a Federação Mundial do Coração.

De acordo com os autores do estudo, estas mortes causadas pelo principal composto do cigarro representam um em cada cinco óbitos de doenças cardíacas registradas. Isto é, 20% das mortes por doenças cardíacas são causadas pelo tabaco.

Na edição desta quarta-feira (23) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes analisou o impacto do tabaco no coração e como o corpo reage à substância presente nos cigarros. O médico também avaliou quais os outros males provocados por ele. 

"Existe uma relação direta entre o hábito de fumar e o processo inflamatório que se estabelece nas artérias que levam o sangue para todos os órgãos. Quando falamos do coração especificamente, temos as artérias coronárias responsáveis por levar o sangue e o oxigênio para o pleno funcionamento do órgão", iniciou. 

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Foto: Reprodução/CNN

Além de causar arritmia, o cigarro pode comprometer a saúde dos vasos que irrigam o coração, promover infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca.

"Todos estes problemas, atrelados ao consumo de cigarro, causam preocupação, como na estatística apresentada. Se existe uma pré-disposição e a pessoa adiciona o cigarro, por exemplo, você pode aumentar a prevalência da doença. O mesmo vale para pessoas que não têm nenhum problema crônico, mas que estimula o uso do tabaco ao decorrer do tempo", disse.

O médico também alertou para os outros componentes do cigarro que podem levar o indivíduo ao vício. 

"Existem inúmeros produtos em um cigarro, e a nicotina é um deles. Ela tem o poder de parasitar o circuito cerebral do prazer. Por isso a pessoa acaba fumando tanto por comportamento, quanto por uma questão de dependência química. Até aí não teria problema nenhum se não tivesse esta relação com os demais componentes e a alteração do funcionamento da microvasculatura do organismo e que podem encurtar o período de vida das pessoas", avaliou. 

O cigarro não é apenas um risco para os que são fumantes, mas ele também impacta pessoas que convivem com a fumaça, os chamados tabagistas passivos. 

"Em um longo prazo, este fumante passivo pode apresentar problemas no aparelho respiratório como o desenvolvimento de alergias e até mesmo asma. É preciso ter cuidado", finalizou.

(Edição: André Rigue)