Vacina com 50% de eficácia já será um ganho enorme, diz gerente da Anvisa

Segundo o gerente-geral de medicamentos da agência reguladora, 50% não é um valor totalmente irreal

Da CNN, em São Paulo
01 de outubro de 2020 às 21:30

A Anvisa deu início nesta quinta-feira (1º) ao primeiro processo de revisão de uma vacina contra a Covid-19 no Brasil, como forma de agilizar o procedimento de registro. É o imunizante que está sendo desenvolvido pela farmacêutica Astrazeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

Nessa quarta-feira (30), a Anvisa disse que pode aprovar uma vacina com 50% de eficácia se não surgirem alternativas dentro do padrão de 70% usado normalmente.

Em entrevista à CNN, Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), afirma que uma imunização contra a Covid-19 com 50% de eficácia “já será um ganho enorme” para evitar a circulação da doença.

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Anvisa diz que pode aprovar vacina contra Covid-19 com 50% de eficácia

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa
Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa
Foto: CNN (01.out.2020)

“50% não é um valor totalmente irreal. A gente aplica inclusive, por exemplo, para a vacina da influenza (gripe). Isso significa que, mesmo tendo 50% ou até menos [de eficácia], a gente ainda garante que, por conta da imunidade de rebanho, os casos graves não vão surgir e a gente vai conseguir impedir a circulação do vírus”, explicou Mendes.

O especialista também esclareceu os três pontos que a Anvisa leva em consideração para avaliar a efetividade de uma vacina, lembrando que essa é uma das estratégias para garantir que o vírus não circule mais. São eles: a cobertura da vacinação, o impacto na saúde pública e a porcentagem de indivíduos contaminados. 

“Vamos supor que quando sair a vacina, 20% das pessoas já tenham tido contato com o vírus, ou seja, estão imunes. A gente precisaria ainda de mais 40% para garantir a imunidade de rebanho. Se a vacina tiver 50% de eficácia, significa que se vacinarmos 80% da população, garantiremos essa cobertura”, falou.

(Edição: Sinara Peixoto)