Você pode ser infectado com Covid-19 duas vezes? A resposta não é simples


Christina Maxouris, da CNN
17 de outubro de 2020 às 11:22
Coronavírus

Cientistas investigam como as pessoas podem ser reinfectadas pela Covid-19

Foto: Pixabay

Depois de vencer uma luta contra a Covid-19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que estava imune ao vírus.

Já os especialistas dizem que é possível ser reinfectado. Mas é raro.

“São 38 milhões de casos em todo o mundo e algumas dezenas de casos de reinfecção relatados até agora”, disse a doutora Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde, à CNN nesta semana.

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O doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, afirmou dias atrás que as autoridades de saúde estão começando a ver “uma série de casos” relatados como reinfecções.

“São casos bem documentados de pessoas que foram infectadas e após um período relativamente curto de tempo medido de semanas a vários meses, elas ficaram expostas e foram infectadas novamente.

Portanto, você precisa ter cuidado pois não está completamente ‘imune’”, afirmou Fauci. Em agosto, os médicos relataram que um homem de Nevada de 25 anos poderia ser o primeiro caso documentado de reinfecção de Covid-19 nos EUA. O paciente foi diagnosticado com Covid-19 pela primeira vez em abril e depois de melhorar (e ter dois testes negativos), ele teve o teste positivo para o vírus um pouco mais de um mês depois.

Outra equipe de pesquisadores relatou em agosto que um homem de 33 anos que mora em Hong Kong teve Covid-19 duas vezes este ano: em março e agosto. E, no início desta semana, foi revelado que uma holandesa de 89 anos (que também tinha um câncer raro no sangue) morreu depois de pegar Covid-19 duas vezes, disseram os especialistas. Ela se tornou a primeira e única pessoa conhecida a morrer após ser infectada novamente.

Embora seja possível se infectar novamente com o vírus, ainda há questões que os cientistas estão trabalhando para responder, incluindo quem tem maior probabilidade de ser infectado novamente e por quanto tempo os anticorpos protegem as pessoas de uma nova infecção.

Duração dos anticorpos
Vários novos registros publicados recentemente mostram que a imunidade à Covid-19 pode durar meses.
Pesquisadores da Universidade do Arizona descobriram que os anticorpos que protegem contra a infecção podem se manter por pelo menos cinco a sete meses após a infecção por Covid-19.

Como a pandemia é recente, surgida há menos de um ano, provavelmente levará algum tempo até que os cientistas possam obter uma imagem clara da imunidade.

“Dito isso, sabemos que as pessoas que foram infectadas com o primeiro coronavírus, causador da SARS, que é o vírus mais semelhante ao SARS-CoV-2, ainda estão com imunidade 17 anos após a infecção. Se o SARS-CoV-2 for parecido com o primeiro, esperamos que os anticorpos durem pelo menos dois anos, e seria improvável algo muito mais curto”, disse o doutor Deepta Bhattacharya, imunobiologista da faculdade de medicina da Universidade do Arizona.

Outros estudos, um em Massachusetts e outro no Canadá, apoiaram a ideia de imunidade duradoura.
Isso sugere que “se uma vacina for projetada corretamente, terá o potencial de induzir uma resposta de anticorpos durável que pode ajudar a proteger a pessoa vacinada contra o vírus que causa a Covid-19”, escreveu Jennifer Gommerman, professora de imunologia da Universidade de Toronto, em um comunicado.

O que não está claro é como uma segunda infecção pode impactar qualquer vacina em estudo para a Covid-19. O paciente de Nevada apresentou sintomas mais críticos durante sua segunda infecção; já o de Hong Kong não apresentou nenhum sintoma evidente durante sua reinfecção.

“As implicações das reinfecções podem ser relevantes para o desenvolvimento e aplicação da vacina”, de acordo com os autores de um estudo recente publicado no “The Lancet”.

A gravidade pode afetar os anticorpos
Há outra coisa que os pesquisadores começaram a notar: pessoas que têm um desenvolvimento mais grave da doença tendem a ter uma resposta imunológica mais forte.

“Há uma diferença entre as pessoas assintomáticas, que tiveram uma infecção muito leve, com aquelas que não têm anticorpos detectáveis”, disse a doutora Swaminathan, da OMS. “Mas quase todo mundo que tem doença moderada a grave tem anticorpos”.

O doutor Bhattacharya, do Arizona, concordou com essa descoberta.

“Os pacientes da UTI tinham níveis mais altos de anticorpos do que as pessoas com doença mais branda”, relatou, acrescentando que ainda não sabe o que isso significará para a imunidade de longo prazo.

Maggie Fox, da CNN, contribuiu para esta reportagem. (Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).