Estudo liga risco de contaminação pelo zika vírus a relações sexuais

Relação sexual como transmissora do vírus também poderia explicar o motivo pelo qual a doença se espalhou rapidamente

Giulia Alecrim* Da CNN, em São Paulo
19 de outubro de 2020 às 19:54 | Atualizado 19 de outubro de 2020 às 19:59

O vírus da zika pode ser sexualmente transmissível, conforme concluído no primeiro estudo brasileiro sobre o assunto, desenvolvido pela Fiocruz Pernambuco em parceria com a Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos. A pesquisa foi publicada na última quinta-feira, 15 de outubro, e é a segunda a abordar o assunto globalmente.

Os resultados identificaram que o risco de contaminação de uma pessoa que mantinha relação sexual com um infectado pela zika era 3,9 vezes maior do que para quem não mantinha relações com o indivíduo. Neste caso, o risco seria de 1,2 vez maior. No caso da chikungunya, o risco se mostrou o mesmo para todos os moradores, sendo parceiros ou não. 

A relação sexual como transmissora do vírus também poderia explicar o motivo pelo qual a doença se espalhou rapidamente, afirmam os pesquisadores.

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Para o estudo atual, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e realizaram questionários e testes sorológicos com os 250 participantes da pesquisa anterior e também convidaram seus parceiros sexuais e mais dois moradores de suas residências, somando 425 pessoas no total. O objetivo seria comprovar a hipótese de que o vírus da zika seria sexualmente transmissível, e para isso, os pesquisadores também avaliaram a exposição dos participantes ao vírus chikungunya.

"A via sexual não parece ser unicamente responsável pelo contágio sustentado do zika, mas associada à transmissão pelo mosquito pode contribuir significativamente para a disseminação eficiente do vírus", informou a pesquisadora e coordenadora do projeto, Tereza Magalhães, em comunicado. 

Visto que os casos relacionados ao vírus da zika têm reduzido drasticamente desde 2017 em Pernambuco e no Brasil, os pesquisadores buscaram avaliar o resultado do estudo através de 250 participantes que haviam participado anteriormente de uma pesquisa entre 2015 e 2016 sobre o diagnóstico da dengue, na cidade e Paulista (PE).

*Sob supervisão Evelyne Lorenzetti