'Absolutamente desprezível', diz Gabbardo sobre politização de vacina chinesa

Coordenador-executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo comentou sobre as pesquisas realizadas sobre a vacina

Da CNN
20 de outubro de 2020 às 10:14

Em entrevista à CNN na manhã desta terça-feira (20), João Gabbardo, coordenador-executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo, afirmou que a politização da discussão sobre a vacina chinesa (Coronavac) é "absolutamente desprezível" neste momento. Gabbardo também avaliou o impasse entre governo federal e a gestão de João Doria (PSBD) sobre a dose.  

"Esta resistência tem origem no grande problema que a gente teve no enfrentamento da pandemia desde o início dela. A gente não consegue unificar o nosso discurso para a população porque o assunto sempre é politizado e polarizado. Isso é absolutamente desprezível, fazer este tipo de discussão neste momento. O que todos nós queremos é que a gente possa interromper, o mais rápido possível, este processo de transmissão da doença, nós queremos voltar a ter uma vida normal", afirmou.  

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João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do novo coronavírus em SP
Foto: CNN (10.ago.2020)

"Existem três maneiras [de finalizar a transmissão do vírus]: com medicamento eficaz e também havia uma expectativa de que nós tivessemos a imunidade coletiva. Ambas não deram certo. Então só nos resta a vacina. Não interessa se ela é chinesa ou americana. Se ela for incorporada ao Sistema Nacional de Vacinas, o Ministério da Saúde irá distribuir todas elas para os estados e as pessoas irão utilizar (...) Todas serão seguras se passarem nos testes, obviamente."

O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (19) que a vacina Coronavac teve os menores índices de reação adversa em comparação com outros imunizantes contra o novo coronavírus. Gabbardo afirmou que a gestão está "fazendo o possível para acelerar este processo" para ter acesso à vacina "o mais rápido possível".

"O esforço que estamos fazendo é o de poder acelerar este processo ao máximo e nós termos acesso à vacina o mais rápido possível. Agora, tem esta etapa que, nós não temos nenhuma governabilidade sobre ela, que é a necessidade de termos, no mínimo, 61 pessoas que tenham contraído a doença. A partir deste número, nós vamos avaliar os dois grupos. O que se espera é que o grupo que tomou a vacina tenha um percentual, de pessoas que tenha apresentado a doença, muito menor do que o grupo que tomou placebo", finalizou.

(Edição: André Rigue)