Governadores rebatem fala de Bolsonaro sobre a CoronaVac


Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 12:14
Governador de São Paulo, João Doria, exibe a vacina Coronavac
O governador de São Paulo, João Doria, exibe a Coronavac, que começou a fase 3 de testes no Brasil
Foto: Reuters

Diversos governadores foram às redes sociais para rebater a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que que não irá comprar a vacina CoronaVac, feita pelo Governo de São Paulo em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

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Após as postagens do presidente, o Ministério da Saúde fez pronunciamento para negar qualquer previsão de compra da vacina pelo Governo Federal. O anúncio da compra foi feito ontem (20), depois da reunião entre o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, e os governadores.

Maranhão

O governador Flávio Dino (PCdoB) foi o primeiro a usar suas redes sociais para criticar a postagem do presidente. Em seu perfil no Twitter, Dino indagou a constatação: “Ontem houve uma reunião do Ministro da Saúde, sua equipe e os governadores em que o contrário foi anunciado. Afinal, o que está valendo?”.

“Bolsonaro agora quer fazer a “guerra das vacinas”, continuou. “Só pensa em palanque e guerra. Será que ele não quer jogar War ou videogame com Trump? Enquanto jogasse, ele não atrapalharia os que querem tratar com seriedade os problemas da população.” 

O governador do Maranhão também garantiu que os governadores irão ao Congresso para “garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras”. “Saúde é um bem maior do que disputas ideológicas ou eleitorais”, finalizou.

Rio Grande do Sul

Eduardo Leite (PSDB) publicou que a inclusão “deve ser feita com análise técnica, não política”. “Nesse contexto não há espaço para discussão sobre assuntos eleitorais ou ideológicos”, escreveu.

Para reforçar seu ponto, Leite publicou um vídeo em que diz: “A decisão deve ser técnica e não política. Temos instituições renomadas trabalhando como a Fiocruz e o Instituto Butantan. O que deve ser observado é a condição de segurança, a viabilidade técnica e também a agilidade para disponibilizar essa vacina para imunizar a população. Ou seja, sem análises políticas”. 

Espírito Santo

Renato Casagrande (PSB) reforçou que “salvar vidas e libertar os brasileiros do coronavírus” são os objetivos que deveriam unir o país. “Adquirir as vacinas, que primeiro estiverem a disposição, deve ser a meta primordial”, escreveu. “Nesse contexto, não há espaço para discussão entre assuntos eleitorais ou ideológicos”. 

Ceará

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), pediu que o Governo Federal “guie suas decisões sobre a vacina da Covid por critérios unicamente técnicos”. “Não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas”, escreveu ele em seu perfil no Twitter.  “Lutaremos para que uma vacina segura e eficaz chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros.” 

Bahia

Rui Costa (PT), o governador da Bahia, disse que o general e Ministro da Saúde Pazuello “tomou medida sensata de garantir acesso à vacina de qualquer país para salvar vidas”. “Estamos em guerra contra a Covid, que já matou 155 mil no Brasil”, relembrou o governador baiano. “O presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta. Minha total solidariedade ao ministro.” 

Pernambuco

Já Paulo Câmara (PSB) ressaltou que “a influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população”: Defendemos que todas as vacinas consideradas seguras, avalizadas pelas autoridades, sejam disponibilizadas ao povo brasileiro”, escreveu em suas redes.

“É preciso dar este passo na superação da Covid-19”, finalizou o governador pernambucano.

Piauí

Wellington Dias (PT), governador do Piauí e que está em Brasília, reforçou que o “compromisso assumido ontem” na reunião foi de comprar a vacina produzida no Brasil. “A saúde do povo tem que estar em primeiro lugar”, disse em seu Twitter. “ A saída da crise econômica, que permite recuperar empregos e trabalhar soluções para a calamidade social, é a vacina. Compromisso do Ministro Pazuello que selou entendimento com todos os Estados e Municípios. Foi claro, comprar da Fiocruz e Butantã!”

São Paulo

Em coletiva de imprensa após a repercussão da fala de Bolsonaro, o governador João Doria pediu a compreensão do presidente sobre a decisão de Pazuello: “O ministro da Saúde agiu corretamente. Agiu baseado na saúde, na ciência, na medicina, E priorizando a saúde dos brasileiros. Não há razão para censurar ou recriminar um ministro da saúde por ter agido corretamente em nome da ciência e da vida. Há de aplaudi-lo, como ele foi aplaudido ontem."

Em nota, o Ministério da Saúde se pronunciou após a fala de Doria, dizendo que houve uma “interpretação equivocada da fala do ministro”. “ Em momento nenhum a vacina foi aprovada pela pasta, pois qualquer vacina depende de análise técnica e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)”, falaram.