Governo federal avança em conversas para comprar vacina da Pfizer

Imunizante da Pfizer não faz parte do programa internacional Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Kenzô Machida, da CNN, em Brasília
11 de novembro de 2020 às 16:57 | Atualizado 11 de novembro de 2020 às 17:49


 

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) deu início às tratativas para a compra da vacina da Pfizer contra a Covid-19. Segundo relatos feitos à CNN, o imunizante desenvolvido em parceria com a alemã BioNTech está no alvo do Palácio do Planalto, mas a negociação para a compra esbarra no transporte e no método de armazenamento da vacina. Está prevista para esta semana uma reunião do Ministério da Saúde com representantes da farmacêutica para buscar uma solução para o problema.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN, o imunizante da Pfizer precisa ser mantido a -75º C. Hoje, os postos de saúde no Brasil não dispõem de equipamentos que atinjam a temperatura. Os freezers das unidades brasileiras preservam materiais a, no máximo, -20º C. De acordo com integrantes do governo, técnicos da Saúde aguardam um posicionamento da farmacêutica a respeito do entrave para viabilizar o acordo de compra.

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Na segunda-feira (9) a Pfizer e a alemã BioNTech divulgaram os resultados dos testes da fase 3 da vacina e disseram que a análise parcial indica eficácia de 90%. No Brasil, o estudo da vacina tem sido realizado em 3.100  voluntários nos estados de São Paulo e da Bahia.

Em julho, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, fechou um acordo com a farmacêutica para comprar 100 milhões de doses da vacina.  O imunizante da Pfizer não faz parte do programa internacional Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de imunizantes contra a Covid-19. O Brasil faz parte da iniciativa.

Em nota, a Pfizer confirmou que está em contato com o governo brasileiro para discutir um possível fornecimento de sua potencial vacina, sujeita à aprovação regulatória, que permitiria vacinar milhões de brasileiros. Disse que inclui o transporte em uma espécie de container (embalagem em formato de caixa) – especialmente projetado e com temperatura controlada, utilizando gelo seco para manter a condição de armazenamento recomendada, que é de -75 ° C (± 15 ° C) por até 15 dias. E concluiu que a distribuição também será feita por meio de um sistema flexível que enviará os frascos congelados diretamente aos pontos de vacinação.