Representantes de vacina russa fazem 1º encontro com membros da área da Saúde


Natália André, da CNN, de Brasília
19 de novembro de 2020 às 13:51 | Atualizado 19 de novembro de 2020 às 17:59

 

Os representantes brasileiros de uma das vacinas russas contra o novo coronavírus, a Sputnik-V, do Instituto Gameleya, se reúnem, nesta quinta-feira (19), com o Ministério da Saúde pela primeira vez. O encontro será para falar de logística, processo de transferência tecnológica, transporte e armazenamento e, não, para pedir ajuda financeira, de acordo com os próprios técnicos, que falaram com a imprensa na chegada ao prédio da pasta.

A comitiva é formada pela Embaixada da Rússia, o TecPar (Instituto de Tecnologia do Paraná) e a União Química. Luciano Reimberg, um dos diretores dessa última, disse que o pedido ao governo federal é de colaboração técnica. “Não tem ajuda financeira do ministério. É só ajuda na parte técnica”, reforçou.

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Desde que foi anunciada ao mundo, o governo do Paraná apresentou interesse em promover os testes da fase 3 no Brasil e também em produzir o imunizante. As tratativas seguem acontecendo mas, de acordo com a Anvisa, sem apresentação de documentos para qualquer pedido. No mês passado, o governo do Paraná anunciou que tinha enviado à Agência uma documentação prévia para pedir o registro. A Anvisa confirmou que recebeu um e-mail com algumas informações, que não representam pedido formal de qualquer abertura de processo.

O embaixador da Rússia, Sergey Akopov, também na chegada, se disse otimista com o imunizante. Ele veio participar da conversa como mediador e não fará parte da negociação.

Essa e as outras reuniões da semana, no Ministério da Saúde, com laboratórios que estão testando vacinas contra Covid-19 foram conduzidas pelo secretário-executivo da pasta, Elcio Franco. Passaram pela pasta a Pfizer, a Johnson & Johnson e, amanhã (20), será a vez da Bharat Biotech, empresa indiana da vacina Covaxin.

Cronograma

O presidente da União Química, Fernando Marques, afirmou que o planejamento da farmacêutica é de começar a testar a vacina russa em janeiro de 2021. A documentação para isso será apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos próximos dias.

Marques não trouxe detalhes de quem vai financiar essa logística. Se será a própria União Química, que entrou por último nas tratativas com o governo russo, o Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar) ou o governo estadual do Paraná, que foi o primeiro a manifestar interesse pelo imunizante. O governo da Bahia também já declarou que pode fazer negócios com a empresa russa.

O presidente da União Química disse que estão trabalhando para produzir a vacina e distribuir para o Brasil e outros países da América Latina no menor valor. Por enquanto, cada dose sairá por US$ 5. Mas estudos indicam que a vacina tem maior eficácia com a aplicação dupla.

Marques também falou que a transferência de tecnologia já está sendo feita aqui em Brasília. “Já estamos no processo de produção em escala piloto. A transferência tecnológica está sendo feita na unidade de biotecnologia daqui de Brasília, no polo industrial JK”, detalhou.