Pat Quinn, um dos criadores do Desafio do Balde de Gelo, morre aos 37 anos

Morreu Patrick Quinn, um dos criadores do desafio que mobilizou milhões em 2014 para doações de combate à esclerose lateral amiotrófica (ELA)

Por Diego Freire, da CNN, em São Paulo
23 de novembro de 2020 às 02:18 | Atualizado 23 de novembro de 2020 às 06:25
Patrick Quinn tinha 30 anos quando foi diagnosticado com ELA em março de 2013
Foto: Instagram/ Reprodução


 

Patrick Quinn, mais conhecido como Pat Quinn, um dos criadores do Ice Bucket Challenge (Desafio do Balde de Gelo), que se tornou viral nas redes sociais de todo o mundo em 2014, morreu neste domingo (22) aos 37 anos.

A informação foi confirmada pela ALS Foundation, associação americana de combate à esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Quinn sofria da ELA e, com Pete Frates, portador da mesma doença que morreu em 2019, foi um dos responsáveis por lançar o desafio que correu o mundo, com o propósito de angariar fundos para grupos de combate à doença degenarativa.

A iniciativa também teve participação direta do jogador de golfe Chris Kennedy, que tem um caso de ELA na família.

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Em 2014, o desafio lançado nas redes sociais de Quinn e Frates teve a participação de mais de 17 milhões de pessoas em todo o mundo, derramando água gelada sobre suas cabeças para chamar a atenção sobre o problema. 

Algumas das celebridades mais seguidas nas redes sociais aderiram à campanha e despejaram água gelada em si, além de fazerem doações. Apenas nos Estados Unidos, há a estimativa de que cerca de 2,5 milhões de pessoas doaram quantias na época, chegando a US$ 115 milhões para grupos ligados a pesquisas e combate à doença.

A Fundação ALS (sigla em inglês para a ELA) disse na época que o desafio foi  "provavelmente o maior episódio individual de doação fora de um desastre ou emergência."

"Pat lutou contra a ELA com positividade e bravura e inspirou tudo ao seu redor. Aqueles de nós que o conheciam estão arrasados, mas gratos por tudo que ele fez para avançar na luta contra a ALS", disse a Fundação ALS em um comunicado à imprensa.

Quinn, que morava em Nova York, tinha 30 anos quando foi diagnosticado com ELA em março de 2013. A Associação ALS conta que, após seu diagnóstico, ele estabeleceu um grupo de apoiadores, a "Quinn for the Win" ("Quinn pela vitória"), para aumentar a conscientização e obter fundos para a luta contra a doença.

O grupo "Quinn for the Win" postou em sua página do Facebook no domingo que Quinn "foi uma bênção para todos nós de muitas maneiras. Sempre vamos lembrar dele por sua inspiração e coragem em sua luta incansável contra a ELA."

Em dezembro passado, Pete Frates, outro homem que popularizou o desafio, morreu aos 34 anos.

O Desafio do Balde de Gelo foi um movimento multimilionário para ajudar a encontrar uma cura para a ELA. Para participar do desafio, as pessoas jogaram um balde de água gelada na cabeça e desafiaram um amigo a fazer o mesmo ou doar dinheiro para associações de combate à doença.

O que é a ELA?

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença degenerativa até hoje irreversível, que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal que fazem os músculos da parte superior e inferior do corpo trabalharem.

Essas células nervosas perdem gradualmente a capacidade de iniciar e controlar o movimento muscular, o que leva à paralisia. Pessoas com a doença perdem o controle dos movimentos musculares, eventualmente perdendo sua capacidade de comer, falar, andar e, por fim, respirar.

Em grande parte dos casos, as complicações da doença levam à morte em alguns anos.

Fatores genéticos podem explicar algumas das ocorrências, mas até hoje se conhece pouco sobre as causas da condição, que é ligeiramente mais comum em homens do que mulheres.

Antes do Desafio do Balde de Gelo, a ELA se tornou conhecida especialmente por conta de duas celebridades que tiveram a doença: o jogador de beisebol americano Lou Gehrig, que morreu em 1941, aos 37 anos (cerca de dois anos após se aposentar ao descobrir a doença); e o astrofísico inglês Stephen Hawking, que morreu em 2018, aos 76 anos (décadas após ter doença detectada aos 21 anos, em um caso raro de longevidade com a condição).

Outros famosos que tiveram a doença foram o ator David Niven; o ex-jogador de basquete George Yardley, do Hall da Fama da NBA; e o músico de jazz Charles Mingus.

Entre brasileiros, morreram em 2020, vítimas da ELA, o ex-pivô da seleção de basquete Gerson, aos 60 anos; e o jornalista e escritor Nirlando Beirão, aos 71 anos

(Com informações de Laura Ly, CNN)