'Já estamos comprando freezers que chegam a -70ºC', diz Pazuello

Ministro comenta a compra de materiais essenciais na distribuição de vacinas como a da Pfizer, que utilizam a técnica do RNA mensageiro

Luana Franzão*, da CNN, em São Paulo
09 de dezembro de 2020 às 15:19 | Atualizado 09 de dezembro de 2020 às 17:02

 

Em entrevista exclusiva à CNN nesta quarta-feira (9), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a vacinação contra Covid-19 no Brasil pode começar entre dezembro ou em janeiro.

O ministro explicou que a pasta faz negociações para compra do material necessário para a distribuição da vacina da Pfizer, desenvolvida com a BioNTech, incluindo a compra de freezeres hospitalares, que podem atingir -70ºC, para assegurar a preservação do imunizante.

"Estamos fechando o memorando de entendimento com a Pfizer. É a vacina que está mais adiantada, mas mesmo ela ainda não tem registro. Está como uso emergencial. Essa vacina está sendo usada assim na Inglaterra", disse Pazuello. A vacina Pfizer/BioNTech chamou a atenção nos últimos tempos pois obteve a autorização para uso emergencial no Reino Unido, onde a vacinação começou na terça-feira (8), e no Canadá.

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"Já estamos comprando freezeres que chegam a -70ºC para capitais e cidades-polo. Essa logística está toda em paralelo, fechando hoje a malha viária aérea, a compra de freezeres, de 300 milhões de seringas – já com processo aberto. O plano está pronto e agora esperamos que os registros se concluam para que agente possa efetuar a compra", completou.

Ministro Eduardo Pazuello com o plano nacional de imunização
Foto: CNN Brasil

Sobre outros imunizantes em desenvolvimento, Pazuello afirmou que o Ministério está seguindo o mesmo padrão de compra para todas as vacinas produzidas no Brasil ou importadas com registro: a compra é feita depois do acerto sobre as questões de quantidade, segurança e preço. "Todas [as vacinas] que forem registradas serão compradas".

Desafios de distribuição

Vacinas feitas com a técnica do RNA mensageiro precisam ser armazenadas a temperaturas muito baixas
Foto: REUTERS/Dado Ruvic

Por ser feita através da tecnologia inovadora que utiliza o RNA mensageiro, as doses da vacina da Pfizer devem ser mantidas a uma temperatura baixíssima, atingida somente com freezeres especiais que podem alcançar cerca de -70ºC. Um freezer que comporta vacinas comuns, por exemplo, oscila apenas entre 2º C a 10º C.

A técnica do mRNA consiste em inserir pedaços do RNA mensageiro do vírus - neste caso o SARS-CoV-2 -, parte da estrutura genética que apresenta uma espécie de "cópia" do DNA do microorganismo. A partir deste material, o corpo pode decodificar a mensagem do RNA e produzir proteínas parecidas com as do vírus, induzindo a produção de anticorpos e outras estruturas de defesa. O processo deve resultar, finalmente, na imunização contra a Covid-19.

Daí a necessidade do armazenamento especial: caso a vacina seja mantida durante muito tempo sem a refrigeração adequada, o material genético presente na vacina pode percerer, e então o imunizante perde efetividade.

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Entretanto, especialistas lembram que após a produção, as doses da vacina podem ser mantidas por até cinco dias em freezeres comuns. A farmacêutica Pfizer anunciou também que está desenvolvendo formas de armazenamento específicas para o transporte da vacina a países que comprarem doses, como um freezer compacto que pode proteger o material por até 30 dias.

Ainda sim, imunologistas e infectologias afirmam que este é um prazo relativamente curto para o armazenamento, e portanto, o plano de logística e estratégia de distribuição precisa ser amplo e efetivo para o sucesso da vacinação popular.

Inovação científica

Ilustração de vacina contra Covid-19 da Pfizer
Foto: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo (2.dez.2020)

A certificação desta vacina pode representar um passo importante para a imunologia. Nenhuma vacina que utilize o método do RNA mensageiro foi aprovada para uso pleno da população, por se tratar de uma novidade científica.

Caso as vacinas contra a Covid-19 que usam a técnica demonstrem alta efetividade na imunização de uma grande amostra de pessoas contra a doença, a técnica do mRNA poderá ser utilizada no desenvolvimento de novas vacinas futuramente, tornando o processo cada vez mais ágil.

*sob supervisão de Leonardo Lellis