Governadores querem união de laboratórios para vacinar 70% da população até maio

"Queríamos a liderança e a centralização do governo federal. Então, não estamos procurando o Butantan e a Fiocruz", disse Wellington Dias (PT-PI)

Natália André e Tainá Falcão, da CNN, em Brasília e São Paulo
14 de dezembro de 2020 às 16:11 | Atualizado 14 de dezembro de 2020 às 17:32


 

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse que governadores estão pedindo ao Ministério da Saúde a união de forças dos maiores institutos brasileiros para aumentar a capacidade de produção de vacinas da Covid-19. Como o Instituto Butantan já declarou que conseguiria produzir 30 milhões de doses da CoronaVac por mês e o governo federal, através da Fiocruz, conseguiria 15 milhões da vacina de Oxford, o Fórum de Governadores entende que, juntos, os dois poderiam dar conta da imunização de 70% da população até abril ou maio.

Wellington Dias foi escalado para falar sobre vacinas em nome do fórum que reúne os governadores. De acordo com ele, todas as conversas, desde a semana passada, depois da reunião no Palácio do Planalto com o ministro Eduardo Pazuello, estão centralizadas no chefe da pasta. “Estamos valorizando a coordenação dele. Queríamos a liderança e a centralização do governo federal. Então, não estamos procurando o Butantan e a Fiocruz. A ideia é que o Ministério faça essa junção de forças”, explicou.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que, realmente, os governadores não conversaram sobre isso com ele, mas que o Butantan tem condições de ampliar a oferta trabalhando junto com a Fiocruz. “Não houve conversa nesse sentido. De forma objetiva, ofertamos até 100 milhões de doses. Mas temos condições de ampliar a oferta e trabalhar junto à Fiocruz e outros fornecedores de vacina para tentar prover aos países outras doses necessárias”, concluiu. O Instituto Butantan exporta vacinas para outros 70 países.

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Sobre ir atrás de outros fornecedores de insumos e fabricantes, o governador Wellington Dias comentou que os governadores já pensaram no Serum Institute, da Índia, que é produtor de vacinas em larga escala  — que tem ajudado, inclusive, a farmacêutica AstraZeneca a dar conta das doses da vacina de Oxford.

Outro ponto discutido por Dias é o reconhecimento da vacina chinesa, que está sendo negociada pelo governo estadual de São Paulo, sem ajuda do governo federal. “O Butantan já está apresentando os documentos dos estudos à Anvisa, o Ministério da Saúde já adicionou a CoronaVac nos interesses ou prospecções do PNI. Ou seja, já reconhece a importância da vacina. Se ela entrar na conta junto da de Oxford, do Covax Facility (aliança de países da OMS) e da Pfizer, teremos doses suficientes para agilizar esse processo”, afirmou.

O presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde), Carlos Lula, também concordou com o esforço coletivo. “Todo esforço, no sentido de diálogo e ampliar a capacidade de oferta, é bem-vindo. A gente tem capacidade de produção muito alta. Se a gente conseguir unir esses esforços. Acho que esse é o caminho que a gente deve seguir”, concluiu.

Reuniões particulares

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, vai começar a ouvir essas propostas, nesta segunda-feira (14), porque vários governadores irão visitá-lo em Brasília. Serão diversas reuniões presenciais ou virtuais. O primeiro é o do Ceará, Camilo Santana (PT). Já Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, conversará com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

“Nós dividimos assim. Santana fala com o ministro e Casagrande, com o presidente. O Brasil tem algo especial que poucos lugares do mundo tem. Uma Fiocruz e um Butantan. É claro que essa junção precisa ser a base desse plano, pois podemos passar das 60 milhões de doses por mês. O plano só é possível com garantia de entrega mês a mês”, explicou o governador Wellington Dias.

Já o ministro se diz aberto ao diálogo. “Não tem nada muito programado, mas vou receber todos que quiserem vir falar. Estamos pensando juntos a distribuição e a logística. O MS vai repassar as doses, mas os estados tem a responsabilidade em dividir pelos municípios e os prefeitos, por sua vez, de executar o plano. Por isso, estamos juntos”, afirmou o general.