Governo chama Butantan para lançamento de plano de vacinação

Ideia é justamente reduzir o embate político após um acirramento entre Brasília e São Paulo nas últimas semanas

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
14 de dezembro de 2020 às 19:30 | Atualizado 14 de dezembro de 2020 às 19:54


Com o objetivo de promover um distensionamento do ambiente político, o Ministério da Saúde encaminhará um convite para que representantes do Instituto Butantan participem do lançamento do Plano Nacional de Imunização nesta quarta-feira (16) no Palácio do Planalto. 

A ideia é justamente reduzir o embate político após um acirramento entre Brasília e São Paulo nas últimas semanas e sinalizar que, uma vez registrada pela Anvisa, a Coronavac será incluída no plano.

Apesar do gesto, o plano conterá pelo menos um ponto que será diretamente divergente do plano anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB): não haverá ainda um cronograma. 

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Com isso, o governo federal pretende marcar posição de que, ao contrário de São Paulo, só anunciará uma data após cumpridos alguns estágios, como o registro da vacina na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e reuniões com as farmacêuticas para tratar da logística para pegar as vacinas e distribuí-las pelo país. Doria, por sua vez, disse que a vacinação em São Paulo começa no dia 25 de janeiro. 

O plano também deverá vir acompanhado de peças publicitárias para divulgá-lo. Neste domingo (13), inclusive, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reuniu-se com o cantor Zezé di Camargo na residência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para tratar do assunto. 

Nesta terça-feira (15), o secretário de Vigilância Sanitária, Arnaldo Correia de Medeiros, fará a última apresentação do plano para o ministro Pazuello. A ideia é que até lá, a Medida Provisória que irá liberar R$ 20 bilhões para a compra de vacinas já esteja publicada. Isso porque, dentro da MP, o governo vai incluir também mecanismos legais para viabilizar o plano. 

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Nesta segunda-feira técnicos da Saúde se reuniram com técnicos da Economia e do Planalto para avançar na elaboração do texto. Em outra frente, o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu com integrantes do núcleo jurídico para tratar do assunto.

Foram três reuniões. Uma com o advogado-geral da União, José Levi, outra com Pedro César Nunes Ferreira, subchefe para assuntos jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência, e uma terceira reunião com os dois. 

A CNN apurou que Levi deixou claro ao presidente os limites constitucionais da MP. Por exemplo, teria alertado da inconstitucionalidade de uma medida que determinasse o confisco de vacinas, conforme foi aventado na sexta.