Média diária de novos casos entre Natal e Ano-Novo deve ficar acima de 60 mil

Projeção realizada a pedido da CNN mostra que, se nada for feito, média móvel do novo coronavírus no país crescerá até fevereiro de 2021

Por Paula Forster Da CNN
18 de dezembro de 2020 às 12:36 | Atualizado 25 de dezembro de 2020 às 14:57


Projeção realizada pelo pesquisador Domingos Alves, do Covid-19 Brasil, a pedido da CNN Brasil, mostra que a média móvel de novos casos, por dia, do novo coronavírus no país deve seguir crescente até o mês de fevereiro de 2021, se nada for feito até lá. E o número de novos óbitos segue a mesma tendência.

É importante considerar que a média móvel se refere aos dados registrados nos últimos sete dias, ponderando, portanto, as flutuações: os dias com recordes, como quarta-feira, dia 16, quando o Brasil atingiu a marca de 70.000 novos casos, e dias de estabilidade, como aos finais de semana, quando nem todos os estados reportam as informações ao Governo Federal.

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Foto: Amanda Perobelli/Reuters (26.jun.2020)

De acordo com as projeções, entre as comemorações do Natal e Ano Novo, o Brasil deve passar a média de 60 mil novos diagnósticos diários da doença e, se continuar no mesmo ritmo, até meados de janeiro e fevereiro do ano que vem, vai ultrapassar a marca de 100 mil novos casos. Hoje, a média é de 42 mil e o último recorde foi atingido no dia 30 de julho, quando chegou a pouco mais de 46 mil novos casos.

Em relação aos óbitos, a média móvel, de hoje, é de 662 e o recorde foi registrado no dia 26 de julho, com média de 1.096 mortes. A projeção, segundo o pesquisador Domingos Alves, é de que até 10 de janeiro, o país chegue aos 1.000 óbitos diários.

Os números são bastante preocupantes. “São oito estados com um número de casos maior do que o registrado no começo da pandemia. Estamos vendo como está a ocupação dos leitos, aumento em vários munícipios brasileiros, não apenas em capitais, com taxas acima de 90%”, comenta o pesquisador.

Festas de fim de ano

A situação, que já é preocupante, fica ainda mais com as festas de fim de ano se aproximando. O Observatório Covid-19 Brasil divulgou nota alertando que as reuniões sociais podem intensificar o que já é bastante grave. Em nota, informa que há uma clara tendência de crescimento de casos, internações e mortes em quase todo o país, especialmente nos estados do Sul e Sudeste, e que, em comparação com outros países, o Brasil já é, de novo, um dos que registram a maior taxa de crescimento diário de novos infectados pelo vírus.

Ao expor o atual cenário brasileiro, que se revela mais forte em estados mais populosos, como Rio de Janeiro e São Paulo, o Observatório pede cautela da população e que evite celebrações com mais de seis pessoas. No material, divulgado em seu portal, diz ainda que o processo de vacinação, considerando todas as etapas previstas, pode durar até meados de 2022:

"Apesar de ótimas taxas de eficácia das vacinas que estão começando a ser usadas na população em outros países, ainda não se sabe sobre qual é a duração da proteção conferida pelas vacinas. Desse modo, até que uma parcela grande da população esteja imunizada, precisamos manter o distanciamento físico e o uso de máscaras, para evitar novas infecções".

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também divulgou cartilha com orientações e precauções que devem ser adotadas nas reuniões de fim de ano, a fim de diminuir os riscos de transmissão do vírus. Há dicas desde de como preparar e servir os alimentos a como organizar o ambiente da confraternização. A Fundação pede ainda que se alguém apresentou alguns dos sintomas da Covid-19 nos últimos 14 dias, teve contato com alguém diagnosticado com a doença ou está esperando resultado do exame, que não saia e nem receba ninguém em casa.

Já para aqueles que fazem parte do grupo de risco, é recomendado que celebrem apenas com as pessoas que já convivem na mesma residência.