Luta contra a Covid-19 avança com remédio imunizante e mais 2 vacinas na fase 3

Vacinas chinesas e indianas, além de um novo medicamento da AstraZeneca que pode ser disponibilizado em abril, podem ser novas armas na luta contra a pandemia

Lorena Lara, da CNN, em São Paulo
30 de dezembro de 2020 às 05:00
A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos foi batizada de
A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos foi batizada de Covaxin
Foto: Reprodução/Bharat Biotech

A batalha contra a pandemia da Covid-19 deu passos importantes nos últimos dois meses deste ano: além do início da vacinação em ao menos 45 países, duas novas iniciativas de vacinas contra a doença e um medicamento para tratar o novo coronavírus, apresentado pela AstraZeneca, chegaram à fase três de testes clínicos.

As mais recentes candidatas a vacina contra a Covid-19 a chegar ao último estágio de desenvolvimento são a Covaxin, iniciativa indiana, da empresa Bharat Biotech, e a RBD-Dimer, do laboratório chinês Anhui Zhifei Longcom Biopharmaceutical.

A Covaxin envolve apenas instituições indianas e a fase três de testes começou em 16 de novembro, com o objetivo de recrutar 26 mil voluntários. Pouco mais de um mês depois, a farmacêutica anunciou que metade desse número já havia sido alcançado. Trata-se do maior teste clínico conduzido por pesquisas de imunizantes contra a Covid-19 no país e os voluntários receberão duas doses intramusculares com 28 dias de diferença entre as aplicações.

A vacina indiana usa a tecnologia do vírus inativado e é desenvolvida pelo Instituto Internacional Bharat de Biotecnologia, em parceria com o Conselho Indiano de Pesquisas Médicas (ICMR, na sigla em inglês), através de seu Instituo Nacional de Virologia (NIV, na sigla em inglês).

Já a RBD-Dimer, conduzida por instituições chinesas, é liderada pela biofarmacêutica Anhui Zhifei Longcom em parceria com o Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências.

A empresa informou que a fase três de testes se iniciou no dia 6 de novembro, deve durar um ano e tem o objetivo de recrutar 29 mil voluntários. Imunizante e placebo serão aplicados em pessoas de 18 anos ou mais, de maneira intramuscular. A plataforma pela qual a vacina foi desenvolvida é chamada subunidade proteica e envolve a aplicação de proteínas do novo coronavírus diretamente no corpo humano.

Uma alternativa às vacinas

Centro de produção e manufatura da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca
Centro de produção e manufatura da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca
Foto: Reprodução/AstraZeneca

A AstraZeneca, farmacêutica anglo-sueca, além de desenvolver estudos em busca de uma vacina ao lado da Universidade de Oxford, também trabalha na criação de um possível medicamento que pode dar imunidade instantânea à Covid-19.

Trata-se da droga batizada de "AZD7442", feita a partir da combinação de anticorpos. Os estudos do medicamento já estão na fase três de testagem e envolvem a participação de mais de 6 mil pessoas. Em cerca de 5 mil delas, a análise focará na capacidade do medicamento de prevenir a infecção por até 12 meses. Em outras 1,1 mil, o objetivo será avaliar a capacidade de ação da substância depois que um voluntário for exposto ao vírus.

Em entrevista ao jornal The Guardian, do Reino Unido, cientistas britânicos afirmaram acreditar que o medicamento já esteja disponível no mercado entre março e abril de 2021, caso tenha eficácia e segurança comprovadas por testes clínicos.

Os caminhos dos laboratórios

Ferramentas diferentes têm sido utilizadas no desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus. Segundo monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os estudos que buscam criar imunizantes, ao menos 10 métodos diferentes foram escolhidos por cientistas em todo do mundo. Dentre as pesquisas que já chegaram às fases clínicas, as plataformas mais populares são as chamadas “subunidade proteica”, “vetor viral não-replicante”, “vetor viral replicante”, “DNA”, “RNA” e “vírus inativado”.

As vacinas a base de proteína são as mais numerosas. De acordo com a OMS, 18 dos 60 possíveis imunizantes em testes clínicos usam essa técnica. Nesse tipo de vacina, fragmentos de proteína do novo coronavírus são aplicados no corpo humano. Grande parte das iniciativas utiliza a proteína spike, que tem papel importante na resposta imunológica.

Vetor viral não-replicante é uma das técnicas usadas em vacinas contra a Covid
Uma das ferramentas utilizadas no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 é o vetor viral não-replicante
Foto: Reprodução/AstraZeneca

No segundo lugar do ranking de ferramentas mais utilizadas está a técnica do vetor viral não-replicante, feita a partir de vírus geneticamente modificados para produzir proteínas da Covid-19, mas enfraquecidos e incapazes de causar a doença. No caso de vetores não-replicantes, o vírus enfraquecido não pode se multiplicar dentro das células. Atualmente, segundo a OMS, nove imunizantes em fases clínicas utilizam esse método.

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Já as vacinas feitas a partir de DNA e RNA envolvem o uso de informações genéticas do vírus. Apesar de ser uma tecnologia mais fácil de se colocar em prática, ela nunca foi utilizada em qualquer imunizante licenciado. Essas vacinas inserem ácido nucleico nas células humanas, fazendo com que o corpo produza cópias de proteínas da Covid-19 e, em seguida, ative o sistema imunológico. Até o momento, oito candidatas a vacina utilizam o método do DNA e outras sete são feitas a partir de RNA.

A plataforma do vírus inativado, por sua vez, envolve modificar o vírus da Covid-19 com partículas químicas ou calor. A ideia é gerar mutações no vírus até que ele se torne incapaz de causar a doença, mas ainda assim produza resposta imunológica no corpo humano. Vacinas como a da poliomielite e a do sarampo utilizam esse método. Segundo a OMS, oito possíveis imunizantes contra o novo coronavírus utilizam a técnica do vírus inativado.