Mortes por Covid-19 cresceram 65% em dezembro no Brasil

Dados do Ministério da Saúde compilados pela CNN indicam disparada nas confirmações de mortes em razão do novo coronavírus no último mês de 2020

André Rosa e Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
05 de janeiro de 2021 às 05:00
Reprodução/CNN (11.jun.2020)
A ONG Rio de Paz protestou na Praia de Copacabana, contra as mortes por Covid-19
Foto: Reprodução/CNN (11.jun.2020)

Vinte e uma mil, oitocentas e vinte e nove pessoas morreram de Covid-19 no Brasil em dezembro de 2020. O saldo do último mês do ano passado confirma o que especialistas já alertavam: a pandemia voltou a se agravar no país.

O número de mortes no mês de dezembro é 65% maior do que as 13.236 vítimas confirmadas oficialmente em novembro. É um número ainda maior do que os 15,9 mil óbitos de outubro e, por pouco, não supera as 22.571 mortes confirmadas em setembro.

CNN compilou os dados dos boletins diários do Ministério da Saúde, que a cada 24 horas centraliza e divulga as atualizações de novos casos e novas mortes informadas no dia anterior.

O pior mês da pandemia continua sendo julho, quando 32.881 pessoas morreram em decorrência da Covid-19.

Nas últimas semanas do ano, o Brasil voltou a viver um aumento na ocupação dos leitos de UTI e também a ver um recrudescimento nas medidas de isolamento social.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) determinou a volta de todo o estado para a Fase Vermelha do plano de reabertura – na qual só serviços essenciais podem funcionar – durante os finais de semana de 25 a 27 de dezembro e de 1º a 3 de janeiro.

Em situação mais delicada, a região da cidade de Presidente Prudente voltou definitivamente ao lockdown, nos critérios do governo paulista.

No Amazonas, uma decisão judicial levou o governador Wilson Lima (PSC) a fechar todos os serviços não-essenciais por um período de 15 dias, também para conter a disseminação da Covid-19.

Vacina

Até a noite de segunda-feira (4), o Brasil ainda não havia apresentado data oficial para iniciar a vacinação contra a doença do novo coronavírus nem vacina aprovada para uso emergencial ou registrada.

A imunização contra a Covid-19 é considerada a principal forma de conter uma agressiva segunda onda da doença.

Segundo a analista da CNN Thaís Arbex, o Ministério da Saúde trabalha com um cenário otimista em que possa iniciar a imunização no dia 23 de janeiro.

Isso seria possível caso seja bem-sucedido o plano de importar 10 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas na Índia.

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O Governo de São Paulo já anunciou para 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, o início de um plano estadual de imunização, que contempla a Coronavac, vacina do Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Até o momento, 47 países já iniciaram a vacinação contra a Covid-19. Os últimos a entrarem na lista foram Islândia, Singapura, Irlanda, Belarus e a Argentina (que deu início à aplicação da Sputinik V na população).

Lockdown

O início de uma vacinação, no entanto, não está dispensando, em outros países, a necessidade de reforço das medidas de distanciamento social.

O Reino Unido, que já está imunizando a população, entrou em lockdown a partir da 0h desta terça-feira (5) por decisão do primeiro-ministro Boris Johnson, que citou uma variante do novo coronavírus surgida no país – e já encontrada no Brasil – que poderia se disseminar até 70% mais rápido.

"Nós temos agora uma nova variante do vírus, e tem sido frustrante e alarmante a velocidade com que essa variante se espalha. Cientistas confirmaram que a nova cepa é entre 60% a 70% mais transmissível", explicou Johnson.