Manaus perto do colapso: em 7 dias, janeiro já é o segundo mês com mais enterros

Situação da cidade é uma das mais graves do país

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
09 de janeiro de 2021 às 05:00
Médicos com paciente em leito de Covid-19
Hospital Municipal de Campanha, em Manaus, em 15/05/2020
Foto: Ingrid Anne via Fotos Públicas

Em apenas sete dias de janeiro, Manaus já executou 585 enterros. Desses, 202 foram de vítimas confirmadas de Covid-19, representando 34,5% do total da capital do Amazonas.

O total de sepultamentos de vítimas da doença nesses primeiros sete dias é o segundo maior já registrado dentro de um mês desde o início da pandemia. 

Com 202 enterros de mortos em decorrência da Covid-19, a primeira semana de janeiro de 2021 já registrou mais sepultamentos relacionados à doença do que 8 dos 9 meses da pandemia em 2020: dezembro (151), novembro (122), outubro (120), setembro (89), agosto (77), julho (67), junho (121), maio (348) e de abril (190).

Quando comparado ao total do mês anterior, os enterros entre 1º a 7 de janeiro de 2021 apresentam o crescimento de 33,77% em relação a dezembro de 2020.

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As mortes pela doença em janeiro de 2021, em relação à primeira semana de maio de 2020, tiveram aumento de 124,4%.

Em nota à CNN, a prefeitura de Manaus informou que, "desde o primeiro dia da gestão, o novo prefeito, David Almeida (Avante), está adotando todas as medidas necessárias para que não se repitam o ocorrido na gestão anterior, quando corpos foram enterrados em valas coletivas".

O cemitério Nossa Senhora Aparecida (Tarumã) tem capacidade para construção de até 22 mil lóculos (gavetas), sendo 336 já disponíveis, além de 342 vagas para crematório e área para sepultamento de cerca de 1 mil pessoas.

Número de enterros não indica menos mortes por Covid-19. Apesar de 202 sepultamentos serem identificados como de mortes pelo novo coronavírus, isso não significa que os outros 383 são de outras doenças: óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave – uma das reações causadas pelo coronavírus e possível indicador de subnotificação – estão entre os números oficiais de mortes por outras causas.

Dos 2.433 enterros registrados em abril (maior número mensal do ano de 2020), por exemplo, apenas 190 foram identificados como mortes por Covid-19.

Já em maio, pico da pandemia na capital do Amazonas, 348 dos 1.899 enterros do mês foram de mortes pelo coronavírus – apenas 18,32%.

Na capital, há o registro epidemiológico de 3.589 mortes em decorrência da Covid-19 desde o início da pandemia, conforme boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Saúde sobrecarregada na capital do Amazonas.

De acordo com os dados da Vigilância em Saúde do Amazonas, o estado está voltando a ficar com menos leitos de UTI disponíveis para os casos mais graves da doença.

Segundo o boletim de quinta-feira (7), a taxa de ocupação registrada foi de 94,1%, enquanto a ocupação dos leitos de enfermaria foi de 97,5%.

Para tentar atender aos pacientes mesmo com a estrutura limitada, o serviço de saúde criou um lugar de emergência chamado "sala vermelha".

Segundo a Vigilância em Saúde, a "estrutura voltada à assistência temporária para estabilização de pacientes críticos/graves para posterior encaminhamento a outros pontos da rede de atenção à saúde".