Êxito de 100% para casos graves ainda não é estatística relevante, diz Butantan


Estadão Conteúdo
12 de janeiro de 2021 às 18:00 | Atualizado 13 de janeiro de 2021 às 11:28
CoronaVac no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo
Coronavac no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli/Reuters (30.jul.2020)

O diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, afirmou, nesta terça-feira (12), que a taxa de eficácia da Coronavac de 100% em casos moderados e graves nos estudos de fase 3 da vacina ainda não tem relevância estatística.

O especialista defendeu, contudo, que o dado segue a tendência de que o imunizante aumente em eficácia a ponto de diminuir a intensidade clínica da doença, ainda que ela só possa ser confirmada com mais tempo de estudos.

Nos testes, a porcentagem de 100% em casos graves e moderados deriva da constatação de que, dentre os 252 voluntários diagnosticados com Covid-19, nenhum entre os que receberam o imunizante precisaram de hospitalização ou UTI e sete do grupo placebo tiveram essa necessidade.

Já o recorte dos estudos em que a eficácia foi de 77,96% – número arredondado para 78% na apresentação feita pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na última quinta-feira (7) –, se refere a casos leves em que os voluntários precisaram de assistência ambulatorial ou hospitalar.

Foram sete voluntários que receberam a vacina e evoluíram para esse estágio da doença e 31 entre os que tomaram placebo.

"É um dado robusto de significância estatística. É extremamente valioso, porque é aí onde está indicado qual o impacto dessa vacina no sistema de saúde", explicou Palácios.

"Se a gente consegue que a vacina controle os atendimentos no sistema de saúde, sejam ambulatoriais ou hospitalares, o impacto é muito além de Covid-19. A gente sabe que, pela demanda de covid-19, muitas outras doenças deixaram de ser atendidas", acrescentou.