Alérgicos e doentes crônicos terão atenção extra em vacinação contra Covid-19


Paula Forster, da CNN, em São Paulo
13 de janeiro de 2021 às 10:44

 

 

 

Entidades médicas elaboraram cartilhas com orientações para a vacinação contra Covid-19 a grupos de pacientes com doenças crônicas e também a pessoas que possuem histórico de alergias mais graves.  De forma geral, toda a população brasileira pode e deve se vacinar, mas algumas particularidades merecem atenção, principalmente no primeiro momento de imunização, quando ainda não se tem dados que comprovem a eficácia das vacinas em pacientes oncológicos; reumatológicos; transplantados e os alérgicos. 

Em relação a este último grupo, a especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Ana Karolina Barreto, explica que na fase inicial haverá contraindicação apenas ao paciente com hipersensibilidade a algum componente indicado na bula do imunizante ou que apresente reação a primeira dose. “Depois, com a apresentação de resultados, podemos avaliar se o custo-benefício é bom, mesmo para aqueles com alergias graves”, explica. 

Os pacientes alérgicos a algum medicamento ou a alimentos receberão uma avaliação mais minuciosa. “Estamos prevendo 30 minutos de observação, na sala do posto, após a aplicação do imunizante. E no caso de alergia a alimentos, também vamos  analisar se a proteína que causa reação alérgica faz parte ou não da composição da vacina”, complementa a especialista.

Independente das recomendações, todos os postos de vacinação precisam estar preparados para agir prontamente em caso de algum evento adverso ocorrer. 

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Grupos de risco

Para pacientes com doenças crônicas, é recomendado um diálogo com a equipe profissional que acompanha o tratamento para análise individual de cada caso. No guia elaborado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, recomenda-se que a vacinação contra o novo coronavírus aconteça quando a doença estiver estável, em remissão, ou ainda com baixo grau de imunossupressão. Isso porque os medicamentos imunossupressores diminuem a imunidade do organismo. 

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Oncológica Clínica, Clarissa Mathias, todos os pacientes com câncer devem se vacinar, inclusive os que estão em tratamento, abrindo exceção apenas para casos de contra indicação a um dos componentes do imunizante. 

“Ainda não temos cartilha com orientações, porque não há vacina aprovada no Brasil. Mas a sociedade americana já elaborou um documento, por exemplo, com informações a respeito”, comenta. Nele, consta que, para pacientes em tratamento, os profissionais de saúde podem adotar estratégias para reduzir os riscos e manter a eficácia de vacinação. Exemplo disso é indicar a aplicação da vacina entre os ciclos de tratamento e em intervalos de descanso das terapias.

Já a Sociedade Brasileira de Transplante de Órgãos recomenda que os pacientes não alterem as mediações para tomar a vacina e que aguardem, no mínimo, três meses após o transplante. 

Edson Arakaki fez transplante de rim em 2001 e toma cuidados redobrados de prevenção à Covid-19, devido à baixa imunidade. “Tomamos remédio contínuo para evitar a rejeição do órgão transplantado. Esse medicamento reduz a imunidade do corpo, justamente para o organismo não reconhecer o órgão estranho e não rejeitar”, explica. Ele é também presidente da Associação Brasileira dos Transplantados e espera ansiosamente pela vacina. “Acho que todo mundo, né? Vai ser dia histórico.”