Dependência de insumos da Índia e China é 'problema estrutural', diz ex-Anvisa

De acordo com relatório da Anvisa, publicado em outubro de 2020, 95% dos insumos usados para produção de remédios no Brasil vêm do exterior

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
17 de janeiro de 2021 às 17:56
Índia produz vacina da AstraZeneca/Oxford
Índia produz vacina da AstraZeneca/Oxford
Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo

O atraso na chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), que causa a demora no início da produção da vacina contra a Covid-19 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é reflexo de um problema estrutural da indústria brasileira, disse à CNN o ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Ivo Bucaresky.

De acordo com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a empresa Astrazeneca, que desenvolve o imunizante em conjunto com a Universidade de Oxford, tem a responsabilidade de trazer o IFA da China.

De acordo com relatório da Anvisa, publicado em outubro de 2020, 95% dos insumos usados para produção de remédios no Brasil vêm do exterior. A maior parte vem da Índia (37%), que trava a liberação de doses da vacina de Oxford compradas pela Fiocruz, e da China (35%), que produz a matéria-prima das duas vacinas aprovadas neste domingo (17). 

“Quando estava na Anvisa (2013-2016), previ que isso poderia acontecer, por uma guerra, uma crise diplomática. Veio a pandemia e a questão se impôs. Temos um problema estrutural, porque produzimos muito pouco dos insumos que a indústria farmacêutica usa no Brasil”, afirmou Bucaresky. 

A Fiocruz esperava para dezembro de 2020 a chegada do IFA para começar a produzir doses da vacina de Oxford no Brasil. Depois, adiou a expectativa para janeiro deste ano - e agora não há data para chegada do ingrediente no Brasil.  A CNN apurou que a responsabilidade por intermediar essa exportação é da empresa Astrazeneca. A reportagem entrou em contato com a companhia, que ainda não retornou.