Aplicativo que recomendava remédios sem comprovação contra Covid-19 sai do ar

Plataforma do Ministério da Saúde, TrateCOV foi lançada em Manaus no último dia 11

Anna Satie, da CNN em São Paulo
21 de janeiro de 2021 às 14:44 | Atualizado 21 de janeiro de 2021 às 15:16

 

O aplicativo do Ministério da Saúde TrateCOV, lançado em Manaus no último dia 11 de janeiro, estava fora do ar nesta quinta (21). 

A plataforma, voltada para profissionais de saúde, tinha como objetivo auxiliar no diagnóstico da Covid-19 e recomendava uma série de remédios sem comprovação de eficácia contra a doença. Hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina poderiam ser recomendados, dependendo dos sintomas apresentados pelo paciente.

Aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCOV
Aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCOV
Foto: Reprodução/Casa Civil (14.jan.2021)

Em nota, o Ministério informou que o aplicativo era um "projeto-piloto" e não funcionava oficialmente, era apenas um "simulador". "No entanto, o sistema foi invadido e ativado indevidamente – o que provocou a retirada do ar, que será momentânea", disse.

A pasta não deu prazo para o retorno do aplicativo. 

Mais cedo, o CFM (Conselho Federal de Medicina) emitiu um comunicado em que diz ter solicitado ao Ministério da Saúde a "retirada imediata do ar do aplicativo TrateCov".

De acordo com o órgão, a ferramenta não preserva o sigilo das informações e não deixa claro como serão utilizadas, permite o preenchimento por pessoas não especializadas e induz à automedicação, além de assegurar "validação científica a drogas que não contam com esse reconhecimento internacional".