Brasil importa 90% da matéria-prima para a produção de medicamentos

Associação diz que falta de planejamento e incentivo científico derrubaram a produção desses insumos no país

Da CNN, em São Paulo
29 de janeiro de 2021 às 22:20 | Atualizado 29 de janeiro de 2021 às 22:21


A indústria farmacêutica do Brasil está entre as 10 maiores do mundo. Apesar disso, o país importa 90% da matéria-prima para a produção de medicamentos e vacinas.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Norberto Prestes, explicou em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (29), os motivos que levam o Brasil --  que sempre foi referência na fabricação de imunizantes -- a ser tão dependente de insumos estrangeiros.

“Na década de 80 mais ou menos, o Brasil produzia 50% dos insumos, nós tínhamos incentivo para que empresas multinacionais e nacionais produzissem um IFA [Insumo Farmacêutico Ativo] e a indústria nacional consumia”, disse.

“Na era Collor houve a abertura de mercado e ficou muito difícil concorrer com os IFAs que eram importados, com os preços, às vezes a tecnologia, e aí essa indústria de insumos no Brasil foi reduzindo drasticamente”.

A indústria farmacêutica também cresceu e o país ficou com um grupo pequeno de empresas que produzem insumos.

“Faltou um desenho de uma estratégia para definirmos melhor quais seriam os insumos que nós deveríamos manter a produção aqui no Brasil e que são importantes para a saúde pública, por exemplo”, falou. “Vamos ter que repensar esse processo a partir de agora.”

Ainda de acordo com o presidente da associação, o Brasil tem capacidade tanto tecnológica quanto científica para desenvolver vacinas.

“Talvez o que faltou para o Brasil foi a permanência ou medidas perenes e contínuas para que o incentivo à pesquisa, o desenvolvimento de vacinas, ou de medicamentos e insumos, nunca fossem interrompidos.”