'Caravana da vacina' e uso indevido de segunda dose viram preocupação no RJ

Cleber Rodrigues, da CNN, no Rio de Janeiro 
05 de fevereiro de 2021 às 15:45 | Atualizado 05 de fevereiro de 2021 às 17:33

 

Troca de mensagens em redes sociais e até a criação de grupos no WhatsApp são as formas mais recentes identificadas pela Secretaria da Saúde do Rio de Janeiro para driblar a fila de imunização contra o novo coronavírus no estado. 

De acordo com o secretário da Saúde do estado, Carlos Alberto Chaves, profissionais de outros grupos prioritários estão organizando caravanas para municípios vizinhos em busca da imunização. A “xepa da vacina”, como já mostrou a CNN, é apontada como um problema passível de punição por órgãos de controle, como o Ministério Público Estadual.

 

“Se ficar impune, todos vão tomar a mesma medida. Se não cortar o mal pela raiz, vira rotina. A denúncia já foi comunicada aos órgãos competentes para que as medidas sejam tomadas o mais rápido possível”, disse o secretário Carlos Alberto Chaves.

Segundo Chaves, os profissionais de saúde estão orientados a usar uma dose da Coronavac ao fim do dia. A justificativa é que os frascos do imunizante possuem uma dose apenas, ao contrário dos frascos da vacina de Oxford, que contêm 10 doses.

Dessa forma, segundo o secretário, evita-se o desperdício, já que, após a abertura do frasco, a vacina deve ser aplicada em até seis horas.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (5), Chaves também informou que o governo do estado monitora denúncias na ouvidoria sobre o uso da segunda dose das vacinas em outras pessoas, quando as mesmas deveriam ser aplicadas em quem recebeu a primeira imunização no prazo de até 28 dias. 

Lista de vacinados descartada

Após cogitar a divulgação dos nomes dos vacinados para evitar os “fura-filas”, a Secretaria da Saúde descartou essa possibilidade. Segundo o governo, em reunião com o Ministério Público fluminense na quinta-feira (4), ficou definido que a fiscalização ficará a cargo dos órgãos de controle, como o próprio MP e o Tribunal de Contas.

“A gente entende que é praticamente impossível uma lista com nome e CPF de todos os vacinados no Rio de Janeiro. O Ministério Público já está recebendo as denúncias, então é muito mais fácil pro MP fazer essa fiscalização. A orientação que a gente tem dado é que os municípios sejam transparentes”, afirmou Mário Sérgio Ribeiro, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental.

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que recebeu, até o momento, 302 comunicações sobre supostas irregularidades no que diz respeito à prioridade na vacinação contra a Covid-19. 

Todas as comunicações foram encaminhadas pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Saúde (CAO Saúde/ MPRJ) às Promotorias de Justiça com atribuição para análise, tendo sido instaurados 20 procedimentos administrativos, três inquéritos civis e um procedimento investigatório criminal. 

Dos 20 procedimentos administrativos, quatro foram instaurados na capital, seis na região metropolitana, cinco em Cabo Frio, três em Itaperuna, um em Campos dos Goytacazes, e um em Nova Friburgo. Dois inquéritos civis foram instaurados em Belford Roxo, um em Teresópolis, e o procedimento investigatório criminal foi instaurado na cidade de Itaboraí.