Com alta de Covid e dengue, Acre vive colapso e pedirá médicos à Saúde

"A Covid está com taxa de letalidade alta, de 1,88%. Já tivemos duas mortes em seis casos de dengue hemorrágica neste ano", diz secretário

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
08 de fevereiro de 2021 às 14:33 | Atualizado 11 de fevereiro de 2021 às 16:08

O Acre vive situação de colapso na rede de saúde, com falta de leitos de UTI e médicos para tratamento de pacientes com coronavírus. Além disso, a capital, Rio Branco, vive um surto de dengue, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde do estado. A cidade decretou estado de emergência em virtude da doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti na semana passada.

Nesse cenário, o governador do estado Gladson Camelli  (PP) irá se encontrar com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para solicitar médicos para atuarem no estado. Os dados mais recentes do portal de acompanhamento da Covid-19 mantido pelo governo do estado revelam que, hoje, não há leito de UTI disponível para pacientes em estado grave com a doença. A taxa de ocupação de leitos de enfermaria exclusivos para coronavírus está em 87,5%

Profissional da saúde cuida de paciente da Covid-19 em UPA de Rio Branco
Profissional da saúde cuida de paciente da Covid-19 em UPA de Rio Branco, no Acre
Foto: Odair Leal/Secom AC (22.mai.2020)

 À CNN, o secretário municipal de saúde de Rio Branco, Frank Lima, afirmou que a situação da cidade é “extremamente preocupante”.

Além da gravidade dos casos de coronavírus, o estado tem registrado média de 500 casos de dengue por dia. “A Covid está com taxa de letalidade alta, de 1,88%. Já tivemos duas mortes em seis casos de dengue hemorrágica neste ano. Temos médicos afastados por conta da Covid-19. Tudo isso contribui para pressão extrema sobre o sistema de saúde da capital”, afirmou Lima.

Guilherme Pulici, presidente do sindicato dos médicos do Acre, fez uma ronda nas unidades de pronto-atendimento de Rio Branco e também constatou a falta de médicos. “A situação é de total colapso, e não só em Rio Branco. Nossa segunda maior cidade, Cruzeiro do Sul, também está sem leitos. Na fronteira com a Bolívia, os leitos também estão lotados e muitos vêm de lá para se internar no Brasi”, declarou.

Além da reunião com Pazuello, o governo do Acre trabalha para abrir mais leitos de UTI para os pacientes com coronavírus. Esbarra justamente na falta de pessoal, uma vez que são necessários cerca de 15 profissionais para cada leito de tratamento intensivo na rede pública, entre médicos e técnicos de enfermagem.

Já prefeitura de Rio Branco prepara um plano de contingência para tentar reduzir o alto número de pessoas infectadas pela dengue.