Vacina da CanSino contra Covid-19 mostra eficácia de 65,7% em teste no Paquistão

Aplicação em dose única e armazenamento em refrigerador comum podem tornar imunizante uma opção favorável para muitos países

Reuters
09 de fevereiro de 2021 às 13:43
Pesquisador trabalha em laboratório da fabricante de vacinas CanSino, em Tianjin, na China
Foto: Stringer - 20.nov.2018/Reuters

A vacina contra Covid-19 da CanSino Biologics mostrou eficácia de 65,7% na prevenção de casos sintomáticos e uma taxa de sucesso de 90,98% na prevenção de doenças graves em uma análise interina de testes globais, disse o ministro da saúde do Paquistão na segunda-feira (8).

Os dados positivos colocam a vacina, desenvolvida em conjunto por um instituto de pesquisa afiliado ao Exército chinês, um passo mais perto de se tornar a terceira vacina bem-sucedida da China para a doença.

Embora as vacinas contra o novo coronavírus de desenvolvedores chineses tenham mostrado taxas de proteção mais baixas do que algumas ocidentais – e nenhum estudo detalhado esteja disponível publicamente – elas já foram aprovadas em vários países em desenvolvimento que lutam contra um aumento nas infecções pela doença.

A vacina CanSinoBIO está sendo testada no Paquistão, México, Rússia, Argentina e Chile, de acordo com dados de registro de ensaios clínicos. A empresa tem acordos de fornecimento com alguns desses países, incluindo o México.

O ministro da Saúde do Paquistão, Faisal Sultan, disse que o país poderia receber "na faixa de dezenas de milhões" da vacina sob um acordo com a empresa chinesa.

Hassan Abbas, chefe do ensaio do CanSinoBIO na AJ Pharma, do Paquistão, disse que já solicitou ao governo permissão para importar a vacina.

"O conjunto inicial de vacinas virá em frascos cheios, mas esperamos no futuro obtê-los na forma de concentrados da CanSino e fazer o envaze aqui no Paquistão", disse ele à Reuters.

A eficácia de imunização tem como base a análise de 30.000 participantes e 101 casos confirmados de Covid-19, disse o ministro no Twitter, citando dados de um comitê independente de monitoramento de dados.

Não ficou claro se o estudo também investigou a eficácia da vacina contra variantes novas e altamente transmissíveis encontradas pela primeira vez na África do Sul, no Reino Unido e no Brasil.

Nenhuma preocupação séria de segurança foi mostrada no estudo, disse Sultan.

No subconjunto do Paquistão, a eficácia da vacina CanSinoBIO na prevenção de casos sintomáticos foi de 74,8% e 100% na prevenção de doenças graves, acrescentou. A CanSino não comentou os resultados.

Aplicação em dose única

Embora a taxa de proteção da vacina fique abaixo da eficácia de mais de 90% das injeções desenvolvidas pela Pfizer e seu parceiro BioNTech e da Moderna, seu regime de dose única e necessidade de armazenamento em refrigerador normal podem torná-la uma opção favorável para muitos países.

A vacina do CanSinoBIO – que foi aprovada para uso nas Forças Armadas chinesas no ano passado e desde então foi administrada a pelo menos 40 mil a 50 mil pessoas – usa um vírus do resfriado comum modificado conhecido como adenovírus tipo 5 (Ad5) para transportar material genético da proteína do coronavírus no corpo.

No entanto, os pesquisadores em um relatório de ensaio em estágio inicial e intermediário expressaram preocupação de que a vacina pode não funcionar em pessoas previamente expostas ao Ad5, já que o anticorpo pré-existente contra o vírus do resfriado comum pode enfraquecer a resposta imunológica desencadeada pela vacina.

A CanSinoBIO também está testando um regime de duas doses da vacina na China, incluindo participantes com idade entre 6 e 17 anos e com mais de 55 anos.

As vacinas das empresas chinesas Sinovac e Sinopharm, esta última apoiada pelo Estado chinês, mostraram eficácia entre 50% e 91%.

As três empresas pediram para se juntar ao esquema global de compartilhamento de vacinas COVAX e a China planeja fornecer 10 milhões de doses para a iniciativa, que é apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela aliança de vacinas GAVI.