Vacinação reduz número de voluntários de estudo da BCG contra a Covid-19 no Rio

Voluntários que participarem do estudo não podem receber doses dos imunizantes aprovados contra o coronavírus

Stéfano Salles, da CNN no Rio
26 de fevereiro de 2021 às 13:42
Enfermeira aplica vacina em britânico em Cardiff
Estudo com a vacina BCG contra o coronavírus teve redução no número de voluntários
Foto: Justin Tallis/Reuters via Pool (8.dez.2020)

A pesquisa que investiga a eficácia do uso da vacina BCG no enfrentamento da Covid-19 terminará a fase de captação de voluntários antes do previsto no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul. O estudo pretendia analisar um grupo de controle formado por mil profissionais de saúde, mas será finalizado com cerca de 800. Isto, por causa do avanço da campanha de vacinação no país, da qual esses trabalhadores são grupo prioritário.

Uma das coordenadoras do estudo, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Margareth Dalcomo, explica que novos voluntários serão incluídos até 10 de março, mas explica a razão pela qual acredita que o grupo de controle será menor que o esperado. “É critério de exclusão, quem é vacinado não pode entrar. E a categoria, por estar mais exposta, é vacinada primeiro”, resume.

Os profissionais que fazem parte do estudo entraram no programa antes do início da vacinação. Assim, será possível analisar, entre outras coisas, se a BCG pode potencializar ou não os efeitos das vacinas contra a Covid-19.

De acordo com Júlio Croda, também pesquisador da Fiocruz e professor da UFMT, que divide a coordenação da pesquisa com Margareth Dalcomo, o Brasil já tem 2.268 voluntários e 6.526 em todo o mundo. A distribuição brasileira está assim: 1.276 do Mato Grosso do Sul, 682 do Rio de Janeiro e 310 do Amazonas, último sítio de pesquisas aberto e que, por isso, continuará o recrutamento de voluntários por mais tempo.

“Precisamos que o número de casos confirmados chegue a 100, para podermos fazer uma análise parcial. Não temos muito como prever quando isso vai acontecer, só aguardamos os eventos”, explica Croda. Atualmente, há cerca de 70 casos confirmados.

A BCG é aplicada na infância, para prevenir a tuberculose, embora seja também empregada para outros fins. Sua aplicação no Brasil é obrigatória para recém-nascidos desde 1976. A pesquisa brasileira faz parte de um estudo internacional, com apoio do Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch, da Austrália, e da Fundação Gates, dos EUA.

Atualmente, cerca de 70 profissionais vacinados contra a BCG já testaram positivo para o novo coronavírus. Os pesquisadores aguardam que esse número chegue a 100 para fazer uma análise parcial. O estudo é conduzido também outros quatro países: Austrália, Espanha, Holanda e Reino Unido. Entre eles, o Brasil é o único país no qual o uso da BCG é obrigatório.

No entanto, entre os especialistas, é consenso que, quando aplicada em recém-nascidos, a cobertura protetora só vale durante a infância.

De acordo com o Vacinômetro da Secretaria de Estado de Saúde, 457.108 pessoas já foram imunizadas com a primeira dose no estado, e outras 112.886 receberam a segunda. Na capital, segundo o município, são 300.399 pessoas receberam a primeira imunização e 77.341 a segunda.