Governadores pensaram mais em reativar economia do que na pandemia, diz Lotufo

Epidemiologista e professor de Medicina da USP diz que ao decretar lockdown, governadores estão 'assumindo a responsabilidade pelo que pararam de fazer'

Produzido por Juliana Alves, da CNN
27 de fevereiro de 2021 às 11:37

Após um ano de pandemia, mais de 252 mil mortes já foram registradas no Brasil em decorrência da Covid-19. Diversos estados estão endurecendo as políticas restritivas. Em São Paulo, por exemplo, das 23h até as 5h, a circulação de pessoas está proibida. Para o epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Lotufo, os governadores estão, agora, assumindo a responsabilidade do que deixaram de fazer desde o segundo semestre de 2020.

“O lockdown é isso. Os governos estaduais ao menos assumindo as suas responsabilidades, que eles pararam no segundo semestre [de 2020]. Eles pensaram muito mais na reativação da economia do que na pandemia”, disse.

Ele acredita que as medidas adotadas no começo da pandemia do novo coronavírus no Brasil, entre os meses de março e abril de 2020, ajudaram a controlar, mas os decretos não foram mantidos e a flexibilização é a causa do que vivenciamos hoje, na semana em que o Brasil bateu recorde no número de mortes. 

“O que nós estamos começando neste fim de semana, nestes estados, é uma indicação de que nós temos que voltar, sim, àquilo que nós fizemos. E eu repito, foi com sucesso, sim. Em março e abril [de 2020], nós conseguimos segurar São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará”, afirma.

Lotufo ressalta que, mesmo após receber a dose da vacina contra a Covid-19, é necessário que o indivíduo mantenha todos os protocolos de higiene e segurança, já que o vírus ainda está sendo amplamento disseminado.

“Eu estou vacinado, por ser profissional da saúde, mas eu mantenho todas as medidas que eu tomava antes. Eu não alterei em nada a minha rotina. Tem gente que está achando que pode andar por aí porque está vacinado, e isso é um erro não só porque ela pode transmitir, como ela também pode ficar doente”.

De acordo com Lotufo, o caminho esperado é que a indústria farmacêutica consiga desenvolver vacinas de dose única, como a da Johnson & Johnson, aprovada nesta semana, por unanimidade, pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos.

"Ela vai ganhar um mercado muito grande. Há muito tempo que todos nós falamos que seria a vacina ideal. Com certeza, todos os concorrentes vão trabalhar nesse sentido. Não há dúvida de que a vacinação em dose única é muito mais efetiva do que a de suas doses. Sempre foi”, conclui.

Epidemiologista Paulo Lotufo
Foto: Reprodução / CNN

(Publicado por Thâmara Kaoru)