Covid-19: Vacina da Novavax é 50% eficaz contra variante da África do Sul

Ensaio com vacina experimental se mostrou mais eficaz do que anticorpos adquiridos por infecções anteriores; resultado precisa ser revisado por pares

Maggie Fox, CNN
04 de março de 2021 às 08:30 | Atualizado 04 de março de 2021 às 08:54
Vacina Novavax
Vacina Novavax
Foto: Dado Ruvic/Reuters

Um ensaio na África do Sul de uma vacina experimental contra o coronavírus feita pela fabricante americana de vacinas Novavax mostrou que o imunizante é cerca de 50% eficaz contra a variante, que agora é a cepa dominante no país africano. A variação sul-africana do vírus apresenta a mesma mutação encontrada na cepa de Manaus, que aumenta a transmissibilidade.

O estudo também mostrou que a vacina oferece melhor proteção contra a nova variante do que anticorpos adquiridos por pessoas que foram infectadas pelo coronavírus.

Os pesquisadores disseram que as descobertas, compartilhadas anteriormente em um comunicado da Novavax, mostram a importância da vacinação rápida e ampla para prevenir a disseminação das variantes.

A equipe liderada por Tulio de Oliveira, da Universidade de KwaZulu-Natal, estava conduzindo um ensaio médio de segurança e eficácia de Fase 2 da vacina em cerca de 4 mil voluntários na África do Sul, quando a variante B.1.351 era de longe o tipo de vírus mais comum em circulação.

“A vacina NVX-CoV2373 era eficaz na prevenção da Covid-19, que era predominantemente leve a moderada, e à variante B.1.351, enquanto a evidência de infecção anterior com o suposto SARS-CoV-2 original [anticorpos] não conferia proteção contra a doença B.1.351”, escreveu a equipe em uma pré-publicação. Esse relatório ainda não foi revisado por pares, mas foi postado online.  

“Entre 94% dos participantes sem HIV, a eficácia da vacina foi de 60,1%. O estudo não foi desenvolvido para detectar eficácia na pequena população de pessoas que vive com HIV”, escreveram eles. A eficácia geral na prevenção da infecção sintomática foi de cerca de 50%.  

 

Cerca de 30% dos voluntários tinham evidência de infecção anterior por coronavírus quando se inscreveram. Quando esses voluntários receberam injeções de placebo, eles tinham a mesma probabilidade de pegar o coronavírus quanto aqueles que receberam a vacina real, relataram os pesquisadores. Isso evidencia que a infecção anterior com uma variante diferente oferece pouca proteção contra a B.1.351.

“Essa descoberta tem implicações significativas na saúde pública, para criação de estratégias de controle da pandemia, desenvolvimento de vacinas e esforços para implantação”, escreveu a equipe na pré-publicação postada na quarta-feira.

Mas a vacina forneceu proteção contra a nova variante – embora muito menor do que a eficácia de 89% mostrada em um estudo mais avançado de Fase 3 no Reino Unido.

A Novavax planeja solicitar a autorização de uso emergencial desta vacina contra a Covid-19 para a Food and Drug Administration dos Estados Unidos em algum momento do segundo trimestre deste ano. A empresa está testando 30 mil voluntários nos EUA e no México para essa aplicação.

A empresa disse que já está trabalhando em doses de reforço para ajudar a proteger sua vacina contra novas variantes emergentes do coronavírus.

Texto traduzido. Leia aqui a versão original em inglês.