Secretários de Saúde temem que Semana Santa provoque novo aumento de Covid-19

Feriado começa no final deste mês. Temor é de que aglomerações provoquem efeito similar ao Carnaval e ao Natal

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
16 de março de 2021 às 13:27 | Atualizado 16 de março de 2021 às 14:29

Em meio à troca no Ministério da Saúde, secretários estaduais da pasta em todo o Brasil estão preocupados com a proximidade do feriado da Semana Santa e a possibilidade de que aglomerações no final deste mês gerar uma nova pressão, sobre as unidades hospitalares - já sobrecarregadas - a partir de abril. “Provavelmente vamos bater 300 mil mortos por Covid no final deste mês, que coincidirá com a Semana Santa. É o evento que muitas famílias se encontram para almoços. Isso trará pressão para a rede”, avalia Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

O que preocupa os gestores ouvidos pela CNN é o fato de os feriados de fim de ano (Natal e Reveillón) e o Carnaval terem contribuído para o aumento na circulação de pessoas, mais aglomerações e consequente crescimento de internações, óbitos e mortes. No Acre, que tenta evitar desabastecimento de oxigênio em virtude do colapso no sistema de saúde do estado, será realizada uma reunião para tentar encontrar uma forma de reorganizar um dos principais eventos locais, que acontece na Semana Santa e tem como tradição movimentar centenas de pessoas nesse período. “Precisamos evitar aglomerações na nossa tradicional Feira do Peixe e Agricultura Familiar da Semana Santa. Estamos colapsados, tentando comprar oxigênio e as empresas estão sem o gás para vender. Estamos recebendo usinas, mas a situação é muito preocupante”, afirmou Frank Lima, secretário de saúde de Rio Branco, capital do estado.

No Rio de Janeiro, o médico Alexandre Chieppe, que integra a Subsecretaria de Vigilância em Saúde do estado, afirma que o momento é de preocupação no estado. “Não sabemos se o que vivemos hoje é um repique de casos provocado pelo Carnaval, mas é fato que há uma procura maior por atendimento nos hospitais e na rede básica. Pode ser, também o avanço da nova cepa. E temos preocupação com o feriado. Teremos movimento maior nos shoppings, por exemplo, que são locais fechados”, alertou Chieppe.