Vacina de Oxford protege contra variante brasileira da Covid-19, indica pesquisa

Médica Sue Ann Costa Clemens afirmou que imunizante se mostrou eficaz em neutralizar a variante P1 do novo coronavírus

Produzido por Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
17 de março de 2021 às 17:25

Em estudo de laboratório realizado no Reino Unido, o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca se mostrou eficaz em neutralizar a variante P1 do novo coronavírus, que foi identificada pela primeira vez em Manaus.

Professora da instituição e responsável pelos estudos clínicos da vacina no Brasil, a médica Sue Ann Costa Clemens afirmou à CNN que os testes mostraram que a variante brasileira reage de forma semelhante à britânica ao imunizante de Oxford.

"Se esperava que a variante do Brasil se comportasse como a da África do Sul, mas, felizmente, a brasileira se comporta mais como a do Reino Unido, em que há, sim, impacto na neutralização [do coronavírus], mas não muito grande", afirmou a especialista, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (17).

Em fevereiro, pesquisadores de Oxford anunciaram que a vacina desenvolvida pela universidade em parceria com a AstraZeneca é eficaz contra a variante britânica do novo coronavírus. Já no início de março, foi a vez da Pfizer/BioNTech revelar um estudo, também feito em laboratório, que indica a proteção contra a variante brasileira pelo imunizante.

Reações adversas

Países europeus suspenderam o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca após graves reações adversas em pessoas que receberam o imunizante. No Brasil, a vacina é produzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já recomendou a continuidade do uso.

Vacina de Oxford/Astrazeneca
Foto: Luiz Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo (5.fev.2021)

Nesta quarta-feira (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse considerar que os benefícios da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca são maiores do que potenciais riscos. Por esse motivo, a entidade recomenda que o imunizante continue a ser utilizado.

Para Sue Ann, os eventos adversos registrados na Europa são "infinitamente menores do que o esperado" durante a fase de testes do imunizante. "Esses eventos têm que ser sempre comparados com a incidência na população, faixa etária e por país", disse a especialista. "No Reino Unido, já se vacinou mais de 11 milhões de pessoas e nós encontramos entre 15 a 22 eventos adversos. O esperado era entre 700 e 860 casos."