Fiocruz descobre novas mutações em variante brasileira do novo coronavírus

Pesquisadores afirmam que a vacina continua sendo a forma mais eficiente de proteção

Por Elis Barreto e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
23 de março de 2021 às 19:28 | Atualizado 24 de março de 2021 às 01:05

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da Rede Genômica Fiocruz, identificou mutações inéditas na variante brasileira do Coronavírus, que podem facilitar a entrada e a multiplicação do vírus nas células humanas. Os cientistas vêm há meses decodificando o genoma do SARS-CoV-2, causador da Covid-19, e acompanhando suas linhagens e mutações genéticas.

De acordo com o estudo,  o sequenciamento genômico encontrou alterações na proteína Spike usada pelo coronavírus para entrar nas células. Essa proteína é um dos principais alvos dos anticorpos produzidos pelo organismo humano para combater os “invasores” e por isso ela interessa a muitas equipes de cientistas para estudo. 

Ilustração em 3D representando o novo coronavírus
Ilustração em 3D representando o novo coronavírus
Foto: Nexu Science Communication/Reuters

Apesar da descoberta, pesquisadores são unânimes em dizer que a vacina continua sendo a forma mais eficiente de proteção. E não há evidência que a nova mutação seja resistente à vacina.

“Essa descoberta sugere que o vírus com essas alterações está tendo mais vantagem em se espalhar e ele poderia escapar parcialmente da resposta imunológica do organismo. Entretanto, é necessário testar em laboratório. Essas modificações aconteceram em apenas 11 amostras, e é preciso verificar se essas linhagens vão se espalhar”, explica o pesquisador Gabriel Wallau, da Fiocruz Pernambuco.

Os cientistas ressaltam que, até o momento, a alteração não foi encontrada em muitos genomas, e ainda não pode ser caracterizado como a formação de uma nova linhagem ou variante do Coronavírus.

Entretanto, o monitoramento pode mapear a frequência de disseminação do vírus. “Podemos dizer que esta é uma descoberta precoce, o que enfatiza a importância de ações em vigilância genômica, como a realizada pela rede da Fiocruz”, explica a chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marilda Siqueira.

Os pesquisadores coletaram amostras de paciente de sete estados: Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná, Rondônia, Minas Gerais e Alagoas. Uma amostra coletada no Amazonas apresentou alterações em sequência genética ligada à linhagem B.1.1.28.

Quatro amostras da Bahia, duas de Alagoas e uma do Paraná apresentaram perdas em sequências caracterizadas como linhagem P.1. Uma amostra de Minas Gerais apresentou a alteração na linhagem P.2. Duas amostras do Maranhão apresentaram a deleção na linhagem B.1.1.33, que também continham a mutação E484K. 

A Rede Genômica Fiocruz é formada por especialistas de todas as unidades da Fundação no país e de institutos parceiros que trabalham diariamente em gerar dados mais robustos sobre o comportamento do vírus. Com isso, é acompanhar as linhagens e mutações genéticas do novo coronavírus e contribuir para um melhor preparo do país no enfrentamento da pandemia em termos de diagnóstico mais precisos e vacinas eficazes.