'Ciência não se desenrola no prazo que os políticos esperam', diz ex-Anvisa

Para ex-presidente da Anvisa, é 'muito desafiador' imaginar que em três meses haverá estudos de fase 1 e 2 e a fase 3 já iniciada da vacina do Butantan

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
26 de março de 2021 às 17:11 | Atualizado 26 de março de 2021 às 17:31

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (26), Dirceu Barbano, farmacêutico e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), falou que é um "desafio" o prazo que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), está prevendo para o início da vacinação contra o novo coronavírus com a Butanvac - vacina brasileira contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan. 

Segundo Doria, o início da produção da Butanvac está previsto para maio e, "portanto, teremos condições para iniciar a vacinação com as 40 milhões de doses, se possível, em julho". Para Barbano, no entanto, a "ciência por vezes não se desenrola no prazo que os políticos esperam".

“É um desafio. Ficamos felizes em receber uma notícia dessa, mas o fato é que nós temos aí um conjunto de acontecimentos que vão pesar nesse cronograma. Além da aprovação da Anvisa para que o estudo com humanos de fase 1 e 2 seja iniciado, há também uma aprovação do órgão que faz a avaliação ética dos estudos”, explicou.

“Nós temos percebido que há uma preocupação muito grande desses órgãos reguladores em tomar decisões em prazos muito curtos. A grande questão é que a partir da aprovação, temos uma etapa que independe das vontades e anseios políticos, porque a ciência requer investimento, método e rigor para que seja capaz de dar as respostas que as pessoas precisam.”

Ainda de acordo com o ex-presidente da agência reguladora, é “muito desafiador” imaginar que em três meses nós conseguiremos fazer um estudo de fase 1 e 2 e ter a fase 3 já iniciada. “É um prazo curtíssimo”, afirmou.