Anvisa recebe pedido de uso emergencial para remédio contra Covid-19

Medicamento da empresa Eli Lilly foi aprovado, em novembro, nos Estados Unidos, mas teve uso descontinuado por não proteger contra novas variantes

Núria Saldanha, da CNN
30 de março de 2021 às 16:04 | Atualizado 30 de março de 2021 às 16:04

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu, nesta terça-feira (30), o pedido de uso emergencial de um medicamento para tratar a Covid-19 desenvolvido pela empresa Eli Lilly.

O coquetel de anticorpos monoclonais foi feito a partir de proteínas elaboradas em laboratório para imitar a capacidade do sistema imunológico humano em combater o novo coronavírus.

O medicamento age contra a proteína spike do vírus, impedindo que ele penetre nas células do corpo humano.

Nos Estados Unidos, a agência reguladora FDA autorizou, em novembro, o uso emergencial do coquetel em pessoas acima de 12 anos que apresentassem casos leves e moderados da Covid-19 com risco de evolução para internação.

A autorização foi baseada em estudo clínico com 465 pessoas. Na pesquisa, apenas 3% dos voluntários com Covid-19 que tomaram o remédio da Eli Lilly precisaram ser internados, porcentagem que subiu para 10% no grupo que tomou o placebo.

Médica testa substâncias em laboratório de Nova York
Medicamento da Eli Lilly é coquetel de anticorpos monoclonais para combater Covid-19
Foto: Shannon Stapleton - 11.mar.2020/ Reuters

Na ocasião, a FDA afirmou que, embora as evidências dos estudos fossem promissoras, a agência continuava a avaliar os efeitos do medicamento. Entretanto, na semana passada, o órgão americano fez uma atualização e afirmou que o medicamento da Eli Lilly não é eficiente contra as novas variantes da Covid-19.

O governo dos Estados Unidos rompeu o contrato com a empresa e a distribuição do coquetel foi interrompida no país.

Trâmite no Brasil

Em nota, a Anvisa, afirmou que fará agora a triagem dos documentos apresentados no pedido.

De acordo com a agência, as primeiras 24 horas serão usadas para fazer uma triagem do processo e verificar se os documentos necessários estão disponíveis. Caso faltem informações importantes, a Anvisa pode solicitá-las ao laboratório.

A avaliação da autorização para o uso emergencial e temporário de medicamento contra a Covid-19 é feita no prazo de até 30 dias.