Dia Mundial da Saúde: 'Desigualdades com vacinas são imorais', dizem ONU e OMS

Diretores de órgãos multilaterais usaram as redes sociais para publicar mensagens contra as desigualdades e perigos que afetam o acesso à saúde e às vacinas

Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo
07 de abril de 2021 às 11:19 | Atualizado 07 de abril de 2021 às 12:02
Dose da vacina indiana da Bharat Biotech, de nome Covaxin
Dose da vacina indiana da Bharat Biotech, de nome Covaxin
Foto: Adnan Abidi/Reuters

Diversos países celebram nesta quarta-feira (7) o Dia Mundial da Saúde, a data ganha ainda mais importância em meio à pandemia de Covid-19, que há pouco mais de um ano atingiu todas as nações do mundo de forma arrasadora e igualitária, e atualmente acumula milhares de vítimas.

No entanto, como afirmaram os líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU), as desigualdades anteriores ao vírus se intensificaram neste período e passaram a simbolizar um perigo para a saúde de bilhões de pessoas ao redor do mundo, sobretudo, com a disparidade na aquisição de vacinas contra a Covid-19.

Para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a concentração de vacinas em um pequeno grupo de países economicamente desenvolvidos representa desigualdades "imorais e perigosas para a nossa saúde, nossa economia e nossa sociedade". 

"A grande maioria das doses da vacina Covid-19 administradas foi em alguns países ricos ou em países produtores de vacinas. Essas desigualdades são imorais e perigosas para nossa saúde, nossas economias e nossas sociedades. Neste Dia Mundial da Saúde, vamos nos comprometer com um mundo saudável e justo", escreveu Guterres em sua conta oficial no Twitter.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, também usou as redes sociais para fazer uma série de publicações em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, no entanto, as postagens não escaparam das críticas ao nível de desigualdade global estabelecido na maioria dos sistemas de saúde de países em desenvolvimento.

"As desigualdades na saúde tornam o globo Europa-África menos seguro e menos sustentável. À medida que nos reconstruímos do Covid-19, é vital investir em melhores serviços de saúde e remover as barreiras que impedem tantas pessoas de usá-los - para que mais pessoas tenham a chance de viver uma vida saudável", escreveu em sua conta no Twitter.

Em linha com as declarações dadas pelo secretário-general da ONU, Tedros afirmou que a Covid-19 "exacerbou as desigualdades entre os países e dentro deles" e argumentou que, embora, sem dúvida, todos tenhamos sofrido o impacto da pandemia, os mais pobres e marginalizados foram os mais atingidos - tanto em termos de vidas quanto de meios de subsistência perdidos".

Com o objetivo de indicar caminhos para reverter o cenário de desigualdade ao qual fez críticas, Tedros publicou uma lista com 5 prioridades vitais que devem ser adotadas à nível global para que equidade na saúde seja alcançada. Ele elenca ações que devem ser adotadas ainda durante a pandemia e no eventual período pós-pandêmico:

  • Investir na produção equitativa e no acesso às ferramentas de combate à Covid-19

  • Investir em cuidados de saúde primários

  • Priorizar saúde e proteção social

  • Construir bairros seguros, saudáveis e inclusivos

  • Melhorar os sistemas de dados e informações de saúde