Com 22,5% de doses a menos, Saúde atualiza cronograma de recebimento de vacinas

Pasta anunciou que 159.450.000 de doses devem chegar ao Brasil no primeiro semestre de 2021

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
24 de abril de 2021 às 18:50 | Atualizado 26 de abril de 2021 às 14:31

O Ministério da Saúde atualizou, neste sábado (24), o cronograma de recebimento de vacinas e anunciou que 159,45 milhões de doses devem chegar ao Brasil no primeiro semestre de 2021.

No cronograma divulgado no dia 19 de março, quando o chefe da pasta era Eduardo Pazuello, o Ministério previa receber 205,89 milhões de doses no primeiro semestre. Ao todo, o número representa 46,44 milhões de vacinas a menos do que o previsto, uma redução de 22,5%.

Novo cronograma de entrega de vacinas
Foto: CNN

Só para o mês de maio, houve redução de 31% no número de doses previstas. Segundo a pasta, o país deve receber no próximo mês 32,4 milhões de imunizantes. A previsão em 19 de março era de 46,9 milhões de doses. 

Em junho, devem ser entregues ao Brasil 54,2 milhões de vacinas. No cronograma de março, eram previstos 56,5 milhões imunizantes para junho. De julho até setembro, estima-se a chegada de 162,8 milhões de doses, antes as 189,6 milhões divulgadas em março. Já entre os meses de outubro e dezembro, 210 milhões de doses podem chegar ao país. No mês passado, a previsão era de 167,3 milhões.

Cronograma de recebimento de vacinas de abril
Foto: CNN

Por que o número caiu

De acordo com o Secretário-Executivo Adjunto do Ministério da Saúde, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz, houve essa redução porque a pasta não conta mais com a entrega de doses da Covaxin, que ainda não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, segundo ele, o consórcio Covax Facility também não entregou a quantidade de doses previstas.

"Em março, nós temos ali alguma diferença. No calendário inicialmente divulgado nós tínhamos a previsão de algumas doses da vacina Covaxin e a gente tinha a previsão de entrega de 3 milhões de doses do Covax Facility", disse.

O ministro Marcelo Queiroga elogiou o avanço da campanha de vacinação, mas lamentou que "nem tudo que é tratado é entregue". 

"Nós fizemos a atualização desse calendário e, através do Programa Nacional de Vacinação, nós já conseguimos, em pelo menos 7 dias, a meta de vacinar mais de 1 milhão de brasileiros”, ressaltou.

Vacinas produzidas pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também tiveram redução de entregas. O número de doses da Pfizer, no entanto, é maior que o divulgado no último cronograma. No próximo dia 29, o país deve receber mais 3 milhões de imunizantes da farmacêutica dos Estados Unidos.

Coquetel Anticorpos

Durante a entrevista coletiva, Queiroga disse que realizou discussões, durante esta semana, sobre a aprovação por parte da Anvisa de um coquetel de anticorpos monoclonais.

"Esse coquetel está sendo alvo da apreciação do Ministério da Saúde. Nós já deliberamos que a Comissão Nacional de Incorporação e Tecnologia no SUS (Conitec) avalie esses medicamentos. Há evidência científica que há a qualidade dessa eficiência".

Por unanimidade, a Anvisa aprovou, na última terça-feira (20), o uso emergencial, em cárater experimental, de um coquetel contra a Covid-19 composto por casirivimabe e imdevimabe – dois remédios experimentais já utilizados nos EUA, que a farmacêutica Roche pediu autorização para uso emergencial no Brasil.

Protocolo para tratamento da Covid-19

O ministro também anunciou, sem explicações, que a Conitec vai avaliar um protocolo de tratamento da Covid-19. Segundo ele, é a comissão que tem a prerrogativa de elaborar os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas.

"Não é um protocolo para uso de fármaco A ou fármaco B. O tratamento da Covid-19 é muito mais amplo do que um único fármaco", disse.

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista coletiva (21.abr.2021)
Foto: CNN Brasil