Queiroga faz apelo a países com doses extras de vacinas contra Covid-19

Em videoconferência com diretor da OMS, ministro da Saúde diz que medida ajudará a conter fase crítica da pandemia e evitar proliferação de novas variantes

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
30 de abril de 2021 às 10:08 | Atualizado 30 de abril de 2021 às 10:54

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, faz um apelo nesta sexta-feira (30) para que países que possuam doses em excedente de vacinas contra o novo coronavírus as compartilhem com o Brasil.

"Reiteramos nosso apelo àqueles que possuem doses extras de vacinas para que possam compartilhá-las com o Brasil o quanto antes possível, de modo a nos permitir lograr avançar em nossa ampla campanha de vacinação de modo a conter a fase crítica da pandemia e evitar a proliferação de novas linhagens e variantes do vírus", disse Queiroga, em videoconferência com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom.

O ministro afirmou que, desde que assumiu a pasta, trabalha em duas frentes: a aceleração do programa de vacinação e a orientação da população "de maneira clara e objetiva sobre medidas não farmacológicas cientificamente comprovadas", como o uso de máscara, a higienização das mãos e o respeito ao distanciamento social.

"Desse modo, busquei conciliar as medidas sanitárias com a necessidade de buscar emprego e renda da população brasileira. Para essas ações, tive como pilar o Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo", disse Queiroga. 

"O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que garante acesso integral, universal e gratuito à saúde."

O ministro também fez um aceno à China, principal fornecedora de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) utilizado na produção de imunizantes contra Covid-19 em território nacional, e disse que o Brasil "conta com a cooperação fundamental da República Popular da China".

"Tenho muito orgulho em referir-me à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ao Instituto Butantan (...) Graças a parcerias exitosas com a empresa sueco-britânica AstraZeneca e a chinesa Sinovac [respectivamente], elas produzem em território nacional a totalidade das vacinas usadas hoje na imunização dos brasileiros contra a Covid-19."

Independência da Anvisa

Ao ser questionado sobre a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recentemente não aprovou a autorização da importação da vacina Sputnik V, produzida na Rússia, Queiroga afirmou que não compete ao ministro da Saúde intervir na agência por se tratar de um órgão de estado e não governo.

"Por determinação do presidente, só devemos aplicar imunizantes que estejam aprovados pela Anvisa e ele faz isso em estrita observância à legislação. Então, neste sentido, não há o que falar em atraso de vacinação no Brasil."

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, em videoconferência com a OMS
Foto: Reprodução/CNN Brasil (30.abr.2021)

Queiroga disse que os diretores da agência regulatória são "pessoas técnicas" e têm capacidade de resistir às pressões políticas que ele considerou serem normais "dentro de um país democrático e de uma ambiência de uma pandemia".

"O governo fez uma conferência com o presidente russo, Vladimir Putin, o Brasil integra um bloco com a Rússia e a China, são nações amigas, e assim que a Anvisa aprovar o imunizante [Sputnik V], ele será incluído em nosso programa sem nenhum problema."

Imunização de toda população em 2021

Queiroga também destacou que o Ministério da Saúde atua em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão regional da ONU, para que as doses de vacinas provenientes do consórcio Covax Facility cheguem ao país o mais rápido possível e afirmou que o governo está na "iminência de assinar novo contrato com a Pfizer para mais 100 milhões de doses".

"Nossa palavra em relação á imunização é de esperança. Temos doses suficientes para o segundo semestre e é possível se garantir que até o final do ano de 2021 tenhamos nossa população inteiramente vacinada", prometeu o ministro.

Brasil não pode 'baixar guarda', diz Tedros

Na abertura da videoconferência, o diretor-geral da OMS fez uma recapitulação da pandemia no Brasil, destacando que o país é um dos mais atingidos em todo o mundo e que, desde dezembro, passa por uma crise aguda com aumento de casos e mortes.

Tedros Adhanom, diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, falou sobre situação da pandemia no Brasil
Foto: Reprodução/CNN Brasil (30.abr.2021)

"Os casos, agora, caíram por 4 semanas seguidas, as hospitalizações e mortes também estão em queda. Isso é uma boa notícia e esperamos que continue, mas a pandemia no ensinou que nenhum país pode baixar as guardas", disse Adhanom.

Ele destacou que Opas e OMS estão trabalhando em conjunto com o Brasil no fornecimento de insumos, como kits de diagnósticos, oxigênio e máscaras, e também elogiou a atuação do país em questões como detecção precoce e telemonitoramento de pacientes.