Queiroga rebate fala de Doria e diz que 'não existe entrave diplomático'

Segundo o governador de SP, o atraso na entrega dos insumos para produção de vacinas contra a Covid-19 aconteceu após críticas do governo federal à China

Tainá Falcão, da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2021 às 13:45 | Atualizado 12 de maio de 2021 às 14:37
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (30.abr.2021)
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (30.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Ao ser questionado sobre afirmação do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de que desgates diplomáticos com a China estariam travando liberação de insumos farmacêuticos para o Brasil, o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, rebateu: “Não existe entrave diplomático”, informou à CNN.

Nesta quarta-feira (12), o Instituto Butantan se reuniu com embaixador do Brasil, em Pequim, mas não conseguiu avançar na pauta sobre a liberação de dez mil litros do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), que aguardam autorização para embarque no país asiático. Além de Queiroga, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, participou do encontro.

Mais cedo, o governador João Doria disse que “enquanto tiver um entrave diplomático, a China não autorizará o embarque do insumo.”

Pelas redes sociais, Doria informou que procurou o embaixador chinês, Yang Wanming, para pedir a liberação de insumos. Ele disse ainda que se solidarizou com o país e lamentou as recentes críticas de Bolsonaro e ministros. 

O governador paulista disse ainda que o Brasil deve “um pedido de desculpas ao governo chinês”. Fontes do Instituto Butantan também creditam a solução do problema a um posicionamento público do governo federal reconhecendo as falas que teriam desagradado os chineses. Segundo governador, o embaixador chinês deu retorno “positivo” e se comprometeu a “ajudar”. 

Procurado pela CNN, o Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota, que a pasta mantém tratativas com a China e "acompanha permanentemente o processo de autorização de exportação de IFAs, inclusive por meio da Embaixada do Brasil em Pequim".

Segundo a pasta, as "autoridades chinesas comprometeram-se a fazer todo o possível para cooperar com o Brasil no combate à pandemia de Covid-19 e reiteraram que eventuais atrasos não são intencionais, dado que a China está exportando IFAs para diversos países", o que tem gerado sobrecarga tanto na fabricação de vacinas e insumos quanto nos trâmites burocráticos necessários para liberação.

A CNN entrou em contato com a Embaixada da China e aguarda um posicionamento.

Errata: Este texto informava, erroneamente, que o Instituto Butantan se reuniu com embaixador da China no Brasil. A reunião foi como embaixador do Brasil na China. O texto foi corrigido.