Pela primeira vez no Brasil, maioria dos internados por Covid-19 não é idosa

Mediana de internações pela doença está abaixo de 60 anos, aponta relatório da Fiocruz

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
21 de maio de 2021 às 19:52
Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Foto: Diego Vara/Reuters

A mediana da idade de pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil está abaixo dos 60 anos pela primeira vez, aponta o Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz divulgado nesta sexta-feira (21). Ou seja, mais da metade dos internados em UTIs não são idosos.

Segundo o relatório, ao comparar a Semana Epidemiológica 1 (3 a 9 de janeiro) e a Semana Epidemiológica 18 (2 a 8 de maio) de 2021, verificou-se que a mediana de idade das internações, em geral, passou de 66 para 55 anos. No mesmo período, a mediana de idade de internações em UTI foi de 68 anos para 58 anos.

Embora a mediana de mortes ainda esteja acima dos 60 anos, pesquisadores da Fiocruz alertam para a queda de 73 para 63 anos desde o início do ano.

"Diferente das últimas semanas, mais da metade dos casos de internação hospitalar e internação em UTI ocorreram entre pessoas não idosas. Em relação aos óbitos, embora a mediana ainda seja superior a 60 anos, ao longo deste ano houve queda num patamar de 10 anos. Os valores de mediana de idade dos óbitos foram, respectivamente, 73 e 63 anos", diz o boletim.

Síndrome Respiratória Aguda Grave

O Boletim da Fiocruz também registra um aumento das notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os casos de SRAG são responsáveis por incidências graves de doenças respiratórias, que demandam hospitalização ou levam a óbitos. São atualmente em grande parte devido a infecções por Sars-CoV-2.

Muitos estados do Brasil -- principalmente os da região Sul -- que apresentaram queda da doença nas semanas anteriores a Semana Epidemiológica 18 mostraram tendência de reversão e até aumento no número de casos. De acordo com o estudo, embora alguns estados apresentem queda ou estabilidade, o número de continuam altos, pressionando o sistema de saúde.

“É fundamental que haja redução sustentada de número de casos para a recomposição do sistema de saúde, inclusive reduzir taxa de ocupação de leitos”, dizem os pesquisadores.

Leitos de UTI para Covid-19

De acordo com o boletim, a expectativa que vinha sendo desenhada de melhoria em relação às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 foi quebrada. Pesquisadores do Observatório afirmam que "caso não seja mantida uma queda sustentável, a pandemia poderá retomar a sua expansão”.

Essas taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos no SUS apresentavam uma tendência lenta de queda, mas entre os dias 10 e 17 de maio de 2021, apresentaram pequenas elevações em muitos estados e capitais, interrompendo a impressão da melhoria do quadro geral.

Taxa de mortalidade

As duas últimas semanas epidemiológicas apresentaram uma ligeira redução das taxas de mortalidade no Brasil. As taxas de incidência, porém, permanecem em um platô alto. 

Os pesquisadores atribuem a queda na taxa de mortalidade à vacinação de populações de maior risco e a uma pequena redução da ocupação de leitos hospitalares.

Considerando o ritmo lento de vacinação no país e a possibilidade da chegada de novas variantes do vírus, o novo cenário socioepidemiológico é visto como preocupante. A análise enfatiza, ainda, que a flexibilização precoce de medidas de isolamento podem causar uma retomada na transmissão.