OPAS: Brasil corre o risco de piora em pandemia independentemente de variantes

Jarbas Barbosa, diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), alertou que relaxar medidas preventivas pode aumentar casos de Covid-19

Produzido por Renata Souza*, da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2021 às 16:00 | Atualizado 24 de maio de 2021 às 21:24

Diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa alertou, em entrevista à CNN, que o Brasil corre o risco de ver os números da pandemia voltarem a crescer independentemente da disseminação da cepa originária da Índia no país. A variante foi identificada, na semana passada, em tripulantes de um navio que está no Maranhão.

"Há mesmo o risco de haver um novo recrudescimento no número de caso independentemente até de novas variantes porque o Brasil, assim como vários países da América Latina, segue com grau de transmissão comunitária muito alta", afirmou Barbosa. "Se as medidas [preventivas] são relaxadas, automaticamente se pode ter esse recrudescimento."

O médico sanitarista da instituição ligada à OMS (Organização Mundial de Saúde) disse que ao menos 10 países das Américas já identificaram a cepa originária da Índia. "As medidas de controle têm que ser mantidas independente de algum risco futuro, mas olhando para o risco presente", reforçou Barbosa, acrescentando que "a transmissão [de Covid-19] ainda é muito alta em praticamente todos os estados brasileiros e parte dos países vizinhos ao Brasil."

Barreiras sanitárias

Jarbas Barbosa destacou que ainda são poucas informações conhecidas sobre a cepa identificada na Índia, mas há a possibilidade de que ela seja mais transmissível. "Para qualquer nova variante que se transmita mais rápido, como a de Manaus, se as medidas para reduzir a velocidade não são adotadas, o que pode acontecer é que, com uma transmissão maior, o número de casos graves também vai crescer de maneira proporcional."

Em São Paulo, a prefeitura deve implementar até esta terça-feira (25) um novo plano de ação contra a Covid-19 com barreiras sanitárias em aeroportos, rodoviárias e rodovias. O foco será a abordagem de passageiros vindos do Maranhão, onde a cepa originária da Índia foi identificada.

Segundo Barbosa, barreira sanitárias não podem ser a única estratégia adotadas para "evitar" a nova variante. "De maneira geral, o que temos visto é que é muito difícil barreiras sanitárias serem 100% eficazes. Estamos falando de uma doença que 40% dos casos são assintomáticos, então, pessoas vão passar em aeroportos sem ter nenhum sintoma", disse. "Por isso, é preciso manter o alerta e todas as medidas capazes de reduzir a velocidade de transmissão."

Pedestre usa máscara e face shield ao andar pela 25 de março, rua de comércio popular em São Paulo, durante pandemia da Covid-19
Foto: Cris Faga/Estadão Conteúdo (24.set.2020)

(*sob supervisão de Elis Franco)