País ainda não está pronto para diminuir restrições, diz presidente da SBIm

À CNN, Juarez Cunha diz que mesmo vacinado ou já tendo sido infectado pela Covid-19, é essencial manter o uso de máscaras

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
12 de junho de 2021 às 11:52 | Atualizado 12 de junho de 2021 às 12:10

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, explicou a necessidade de se manter o uso de máscaras mesmo após a imunização contra a Covid-19 ou ter contraído a doença.

"Eu posso me infectar pelo novo coronavírus e posso transmitir para outras pessoas mesmo estando vacinado com uma ou duas doses", explicou, em entrevista à CNN. Cunha reforça que embora as vacinas tenham um percentual protetor para formas moderadas a graves, e evitarem mortes, elas não necessariamente impedem a transmissão.

“A gente fica feliz que outros países já estejam conseguindo diminuir as restrições e reduzir orientações de uso de máscara, mas a gente não pode colocar isso para a nossa realidade. A nossa realidade não é essa, nós temos uma carga de doença muito alta ainda, com quase 2,5 a 3 mil mortes por dia."

De acordo com o último levantamento da CNN, o Brasil ocupa a posição de 68º no ranking global de vacinas contra a Covid-19 aplicadas na população. Visando acelerar a campanha, nesta sexta-feira (11), o ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que o Brasil poderá vacinar 2,4 milhões de cidadãos diariamente no próximo semestre.

Juarez Cunha acredita que esta mudança seja possível com a chegada de novas doses e com o encerramento da campanha de gripe.

“A partir do momento que termina a vacinação da gripe, facilita essa possibilidade de alcançar um número maior de pessoas vacinadas [contra a Covid-19], em especial tendo vacinas disponíveis. O nosso grande limitador, até recentemente, era ter um quantitativo de vacinas."

O presidente da SBim também defende que a vacinação por faixa etária -- e não mais por grupo prioritário ou área de atuação--, também irá trazer agilidade ao processo.

Cunha também explicou que a população não deve se preocupar em escolher qual vacina tomar. “Quando a gente vê as eficácias das vacinas, uma é de 50, 70, a outra é 95%, mas estes estudos tiveram protocolos diferentes, então eles não são comparáveis."

Segundo ele, o mais importante é entender a efetividade na vida real, como é o caso do estudo de vacinação em massa realizado em Serrana, interior de São Paulo, com a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan. 

"Serrana é um exemplo maravilhoso, nós tivemos 95% de diminuição de mortes, 86% de diminuição de hospitalizações, e estes são justamente os resultados que outras vacinas têm demonstrado na vida real, não só nos EUA, com Pfizer, Moderna, Janssen e no Reino Unido, com a AstraZeneca, mas todas as vacinas têm se mostrado efetivas na vida real", afirma.

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha (12-06-2021)
Foto: Reprodução / CNN

Reações adversas

Ainda de acordo com o especialista, os riscos de efeitos colaterais após a aplicação das vacinas é ínfimo se comparado ao benefício.

“Eventos adversos são raríssimos, alergia é 1 para 1 milhão de doses, fenômeno tromboembólico, dependendo do país, é 1 para 100 mil doses, outros países, é de 1 para 500 mil doses aplicadas", expõe o médico.

A respeito desse tipo específico de trombose que foi relatado e vem sendo estudado se há associação com a vacina, Juarez Cunha faz um comparativo com uma pessoa que adquire a doença.

“No mínimo 20% das pessoas hospitalizadas pela Covid-19 têm fenômenos tromboembólicos. Você tem que pesar esse risco-benefício. O risco de evento adverso grave [causado pela vacina] é muito pequeno quando comparado com os riscos que a doença natural impõe às pessoas.”

Profissional prepara aplicação de vacina da Astrazeneca contra Covid-19 em Belo Horizonte (MG)
Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Estadão Conteúdo (1º.jun.2021)