Só vamos sentir efeito coletivo da vacina no fim do ano, diz ex-chefe da Anvisa

Dirceu Barbano critica atraso na vacinação e alerta sobre importância da imunização

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
20 de junho de 2021 às 16:33

O Brasil deve se tornar o país com mais mortes por Covid-19 no mundo por conta do atraso na vacinação, alerta o ex-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, em entrevista à CNN neste domingo (20). E os efeitos da vacinação em massa, só devem ser sentidos aqui no fim do ano, segundo ele.

"Devemos chegar ao país com mais mortes no mundo com Covid-19 apesar de não termos a maior população do mundo. Nas próximas semanas vamos assistir ainda muitas pessoas internadas, doentes e morrendo por Covid-19, porque estamos atrasados na vacinação. Para um efeito coletivo, precisamos chegar a 60%, 70%, e isso só vai acontecer até o final do ano, infelizmente", diz.

Neste sábado, o Brasil ultrapassou a marca dos 500 mil mortos por Covid-19. Sobre isso, o especialista diz que, nesse cenário, a vacinação se torna um desafio. "A pandemia não é um problema só do Brasil, mas a maneira como lidamos é. Há um esforço dos hospitais para prestar atendimento, mas precisamos vacinar em massa os brasileiros, esse é um desafio", afirma.

Barbano diz ainda que o cenário é consequência do atraso na vacinação e da divulgação de orientações contraditórias à população.

"Estamos pagando um preço altíssimo, com vidas, por aquilo que deixamos de fazer ano passado, e também pelas informações contraditórias que a sociedade recebe todo dia, de que não é necessário usar máscara, de que a doença é melhor que a vacina, isso faz um mal terrível", diz.

Dirceu Barbano, farmacêutico e ex-presidente da Anvisa (20.jun.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 

Barbano ressalta a importância de não escolher vacina. "No momento, temos de nos vacinar com a vacina que encontrarmos próximo de casa. É oferecermos o braço para tomar vacina".