Pandemia: mais de 12 bilhões de máscaras já foram descartadas no Brasil

Especialistas alertam para os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado desses materiais

Beatriz Puente, da CNN, no Rio de Janeiro
05 de julho de 2021 às 13:50 | Atualizado 05 de julho de 2021 às 13:57

Com milhares de máscaras descartadas diariamente em todo o país, o lixo produzido para se proteger da Covid-19 já mostra seu impacto no meio ambiente. Segundo o Instituto Akatu, ONG voltada para o consumo consciente, desde o início da pandemia, já foram mais de 12 bilhões de máscaras jogadas fora. 

Com uma média de decomposição que pode chegar a até 500 anos, dependendo do material, além dos impactos ambientais, o descarte incorreto pode proliferar o vírus.  

Segundo o estudo Atlas do Plástico, do Instituto Lixo Zero, depois de um período inicial com leve diminuição na produção de lixo, devido ao isolamento e queda no poder aquisitivo de parte da população, houve alta na produção de resíduos sólidos, especialmente nos casos de lixo hospitalar. 

O levantamento também ressalta que o plástico é uma das superfícies onde o vírus fica por mais tempo. Porém, sem uma estratégia para descarte e de recomendação para uso de máscaras reutilizáveis, muitas vêm sendo dispersas no meio ambiente, invadindo praças, ruas e oceanos. 

A gerente de comunicação do Instituto Akatu, Bruna Tiussu, explicou que o problema é especialmente danoso para os oceanos por conta da presença do plástico presente nas máscaras do tipo cirúrgica, KN95 e PFF2.

Uma família de quatro pessoas, por exemplo, usa 120 máscaras descartáveis por mês, em média. Esses modelos de máscara podem demorar até 500 anos para se decompor no meio ambiente. 

“As máscaras descartáveis viram microplásticos ao longo do tempo, são 500 anos de decomposição. No oceano, essa substância é muito prejudicial à vida marinha e a nossa própria vida, porque consumimos os peixes, por exemplo”, explicou a porta-voz do Instituto Akatu. 

Além do descarte, a produção de máscaras não para no Brasil. Atualmente, segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (Animaseg), o setor de PFF2 fornece cerca de 50 milhões de máscaras do tipo por mês.  

Os modelos de tecido podem variar entre 100 e 300 anos de decomposição, dependendo da quantidade de camadas e do tipo de tecido utilizado na produção. Segundo o Instituto Akatu, esse é o modelo de proteção mais comum para os brasileiros. Mas Tiussu destaca que, mesmo sendo reutilizável, até as máscaras de tecido têm vida útil e o indicado é descartar após 30 lavagens.  

A reciclagem é uma solução para o descarte de vários produtos que perderam a sua vida útil. No caso das máscaras, a reciclagem desse material precisa seguir um protocolo específico de coleta e tratamento para cada material que compõe a proteção. Segundo Bruna Tiussu, esse tipo de procedimento ainda não é feito no Brasil.  

“O material de algumas máscaras até pode ter propriedades que permitem ser reciclado, mas, no atual contexto do Brasil, a orientação a seguir é destinar as máscaras como resíduo comum, junto com rejeitos e orgânicos, ou seja, não vão pra reciclagem. Se você procurar, vai achar países que reciclam, como o Reino Unido. Mas eles têm um protocolo específico de coleta e tratamento das máscaras pra poder reciclá-las. Um protocolo diferente da coleta comum”, explicou Tiussu. 

Como descartar as máscaras 

Como regra geral, independente do modelo, todas as máscaras têm vida útil. Outro ponto importante é evitar a proliferação do vírus através do descarte irregular das máscaras.

O primeiro apontado do Instituto Akatu é de que o uso de máscara é essencial e esse tipo de resíduo precisa ser descartado corretamente. 

A recomendação para descarte, evitando a proliferação do vírus, é de que a máscara seja embalada em dois sacos plásticos diferentes dos utilizados para os outros resíduos.

É preciso fechar bem e borrifar com álcool ou solução desinfetante. Outra orientação é a de colocar os elásticos dobrados na parte interna da máscara para evitar, se a sacola se romper, que a máscara fique exposta.  

No Rio de Janeiro, a Comlurb orienta que todo material infectante gerado nas residências, incluindo máscaras e luvas, deve ser embalado conforme explicado acima e ressalta que a sacola deve ter apenas 2/3 da sua capacidade ocupada.

A parte externa das sacolas que envolvem as máscaras também deve ser borrifada com álcool.