Transmissão comunitária da variante Delta já ocorre no RJ, dizem especialistas

Secretário estadual de Saúde Alexandre Chieppe admitiu a possibilidade em entrevista

Stéfano Salles e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
07 de julho de 2021 às 11:10 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 00:59

 

Os dois novos casos confirmados da variante Delta do coronavírus, originária da Índia, nos municípios de Seropédica e São João de Meriti, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, preocupam especialistas em saúde – que entendem que a transmissão comunitária da linhagem já ocorre no estado.

As secretarias de Saúde dos dois municípios monitoram um total de oito pessoas, além dos dois pacientes já detectados. 

Na terça-feira (6), os municípios confirmaram à CNN que os dois pacientes não têm histórico de viagens ao exterior e não tiveram contato com viajantes. Para o professor de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, essas são características típicas de transmissão comunitária. 

“Se você não consegue traçar de onde eles pegaram a doença, se sabe que os pacientes não têm histórico de viagens e nem contato com viajantes, fica claro que temos a evidência de circulação comunitária aqui. Precisamos então aumentar a vigilância, para acompanhar a situação e analisar qual será a presença dessa linhagem aqui”, afirma.

Pesquisador do Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o infectologista Júlio Croda concorda. "Se não há histórico de viagem e não é possível identificar o viajante que transmitiu a doença para a pessoa que nunca viajou, é transmissão comunitária", avalia o especialista, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). 

Os dois pacientes confirmados com a variante Delta são uma mulher de 22 anos, de São João de Meriti, que ainda cumpre isolamento residencial, e um homem de 30 anos, de Seropédica, já curado e que não transmite mais a Covid-19.

Com os novos casos, o Rio chega a três registros da linhagem no estado. O primeiro ocorreu em maio, um homem de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ele esteve na Índia, de onde a nova cepa é originária. 

Durante entrevista coletiva ocorrida na terça-feira (6), o secretário de estado de Saúde Alexandre Chieppe admitiu a possibilidade de circulação comunitária do vírus no estado.

“A gente tem hoje evidências de circulação da variante Delta no estado do Rio de Janeiro. Esse processo de investigação está acontecendo agora. As informações iniciais são que a transmissão provavelmente se deu aqui, mas ainda não dá para confirmar isso. Seria um caso de transmissão comunitária”, avalia. 

A variante Delta é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma das quatro linhagens de preocupação do novo coronavírus e é associada à maior transmissibilidade. 

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se manifestou sobre a ocorrência de transmissão comunitária da cepa originária da Índia no Rio de Janeiro.

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Foto: Acervo Fundação Oswaldo Cruz