Leitos de UTI para Covid-19 têm as menores taxas desde dezembro, aponta Fiocruz

No entanto, pesquisadores da Fiocruz alertam para manutenção dos cuidados e chamam atenção para o possível surgimento de novas variantes

Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro
14 de julho de 2021 às 17:41 | Atualizado 14 de julho de 2021 às 22:12

 

Pela primeira vez desde dezembro do ano passado, nenhum estado do país apresentou taxa de ocupação de leitos de UTI destinados ao tratamento da Covid-19 superior a 90%. O índice diz respeito aos leitos da rede SUS destinados para adultos.

O dado, trazido na mais recente edição do Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz, reforça a tendência de queda nos números de novos casos e de mortalidade em decorrência do novo coronavírus. Essa queda foi mantida na última semana epidemiológica (de 4 a 10 de julho), pela terceira vez seguida.

Porém, apesar da melhora significativa, os pesquisadores responsáveis pelo boletim alertam que o número de casos, de mortes e a taxa de letalidade por Covid ainda permanecem em alto patamar. Os pesquisadores ressaltam que, mesmo com a melhora nos índices, ainda são necessários cuidado e cautela.

“A primeira coisa importante é a notícia positiva. Pela primeira vez tivemos queda simultânea nos indicadores de casos e óbitos, além da queda da taxa de ocupação de leitos de UTI na maior parte dos estados. São bons sinais, mas que ainda exigem atenção. A maior parte do país está numa situação que exige cuidados, com nível moderado a alto da pandemia. Essa é uma queda comparada com o período mais crítico, em março. Mas ainda temos preocupações que devem ser levadas a sério”, disse Carlos Machado, pesquisador da Fiocruz e um dos autores do Observatório.

Vacinação

Carlos cita o efeito positivo da campanha de vacinação que, mesmo tendo atingido apenas cerca de 20% da população com ambas as doses, contribuiu bastante para a redução de internações e mortes por Covid-19. Essa redução aconteceu especialmente na população idosa e em pessoas com comorbidades que entraram nos grupos prioritários.  

Mesmo com a vacinação avançando e com os números da pandemia melhorando, o pesquisador reforça que continuam sendo necessárias medidas de isolamento social, redução de circulação das pessoas, uso de máscaras e medidas de higiene pessoal. A maior preocupação atual é em relação ao surgimento de novas variantes que podem, em determinada mutação, escapar do efeito imunológico das vacinas existentes.  

“Uma das grandes preocupações é o surgimento de uma nova variante em que as vacinas disponíveis não sejam eficazes. No momento, todos os imunizantes são eficazes contra as variantes existentes, inclusive a Delta. Mas há a preocupação, sim, de surgir uma nova variante que escape dos imunizantes disponíveis. Por isso é fundamental conter a grande circulação de pessoas, que faz com que continuem surgindo novas variantes”.  

Segundo o pesquisador, se não houver mais nenhum atraso significativo na entrega das vacinas, deveremos atingir o índice de 80% da população vacinada em outubro deste ano. Até lá, entretanto, é importante manter a conscientização para que não haja um relaxamento maior do que o aceitável.

“Não dá para relaxar. A pandemia ainda não acabou. Este momento é como se estivéssemos chegando em casa de carro. Nesse momento de chegada, temos a tendência a relaxar, e é justamente quando relaxamos que um acidente pode acontecer. Ou seja, o momento agora exige muito cuidado e atenção”, concluiu Carlos Machado.  

Taxas de ocupação de leitos  

Segundo os dados divulgados no Observatório, apenas os estados de Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins e Goiás apresentaram aumento nas taxas de ocupação de leitos. Já no restante dos estados, os pesquisadores identificaram queda nestas taxas.    

Já em relação às capitais, quatro estão com taxas de ocupação de leitos de UTI iguais ou maiores do que 80%. São elas: Goiânia (92%), São Luís (81%), Rio de Janeiro (81%) e Brasília (80%). Onze capitais estão com taxas entre 60% e 80%: Manaus (70%), Boa Vista (74%), Palmas (63%), Teresina (sem informação direta; número estimado em torno de 60%), Fortaleza (65%), Belo Horizonte (67%), São Paulo (61%), Curitiba (77%), Porto Alegre (69%), Campo Grande (79%) e Cuiabá (62%).

E as outras 12 capitais estão fora da zona de alerta, com ocupação de leitos de UTI inferior a 60%.

Estudo aponta queda na taxa de ocupação de leitos para Covid-19
Foto: Reprodução / CNN