Vamos esperar os resultados da ciência, diz coordenador da Pfizer sobre 3ª dose

Pesquisador também afirmou que população não deve procurar por mais doses nos postos, misturar vacinas ou realizar testes de antígeno desnecessariamente

Giovanna Galvani e Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
18 de julho de 2021 às 16:33 | Atualizado 18 de julho de 2021 às 16:55

O coordenador do teste clínico da vacina de Covid-19 da Pfizer no Brasil Cristiano Zerbini afirmou, em entrevista à CNN neste domingo (18), que é necessário esperar os "resultados da ciência" para determinar ou não a necessidade de uma terceira dose de vacina contra o coronavírus.

Na segunda-feira (19), a Pfizer irá iniciar um estudo com mais de 10 mil voluntários pelo mundo com a aplicação do que Zerbini chamou de "dose de reforço" em vez de 3ª dose. No Brasil, 885 pessoas participarão dos testes - todos já integraram a fase clínica do imunizante da Pfizer no país e já estão vacinados há 6 meses, explicou.

A pergunta-chave do estudo, disse Zerbini, será determinar se há a necessidade de uma terceira dose ou se as duas primeiras já são suficientes para conferir imunidade contra o SARS-COV-2.

Os voluntários serão acompanhados por um ano, e em até dois meses os pesquisadores devem ter uma análise interina que mostrará os efeitos da dose de reforço até então.

Estudo mostrará mais dados de eficácia da vacina

Segundo o pesquisador, um estudo que sairá no periódico científico "New England Journal of Medicine" em até três semanas trará mais detalhes sobre como ficou a imunidade dos vacinados com a Pfizer. De acordo com Zerbini, os dados demonstram que:

  • 11 dias depois da 1ª dose da Pfizer, houve proteção de 92% contra Covid-19;
  • 7 dias depois da 2ª dose da Pfizer, houve proteção de 95% a 100% contra a Covid-19

  • 6 meses após a 2ª dose, "embora para alguns grupos de pessoas a proteção continuava em 100%, em um grupo de pessoas, principalmente aqui na América Latina, em Brasil e Argentina, nós notamos que a proteção diminuiu para 86%", explicou.

"Notamos que há uma diminuição de 6% da efetividade a cada 2 meses", complementou.

Na entrevista, Zerbini também afirmou que é importante que a população continue a seguir medidas de prevenção contra a Covid, como o uso de máscaras e o distanciamento social, e que a pessoas não devem realizar testes de antígeno ou misturarem doses de imunizantes diferentes, assim como escolherem vacinas.

"Eu tomei a Coronavac. Eu, como pesquisador da vacina da Pfizer, não posso tomá-la para não influenciar as pessoas. Tomei as duas doses da Coronavac e estou ótimo. Não estou preocupado com nada. Me sinto imunizado, não vou a laboratório correndo para fazer teste de anticorpo neutralizante, isso virou uma loucura", afirmou.

"Não fiquem fazendo teste para ver se estão imunizados, isso é bobagem. Existe uma outra imunidade que não é medida por testes, não medida pelos anticorpos, que é a imunidade celular, feita pelos linfócitos T e alguns linfócitos B", explicou. "Vamos obedecer o que está na pauta dos governos. Tome a vacina que está disponível, não fique fazendo teste à toa, não tire a oportunidade de outras pessoas".

O pesquisador também ressaltou que, até o momento, todas as vacinas disponíveis no Brasil têm tido eficácia satisfatória contra as variantes do vírus, em especial a variante Delta, que tem preocupado o mundo.

"A boa notícia das vacinas que temos aqui no Brasil é que todas são bastante eficientes, elas estão respondendo às variantes que temos. A variante que importa para nós é a nossa mesmo. Não há motivo para alarde".

Frasco com vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech em hospital da Irlanda
Foto: Liam McBurney/Pool via Reuters (8.dez.2020)